Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio foi uma virada na série com polêmica local

Lançado em 2011, Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (Fast Five) marca um ponto de inflexão na franquia Velozes e Furiosos, que começou em 2001 com foco em corridas de rua ilegais.
Sob a direção de Justin Lin, o quinto filme abandona parcialmente o “car porn” dos primeiros longas e abraça o gênero de ação e assalto, pavimentando o caminho para blockbusters exagerados que definiram a saga posteriormente.
Ambientado no Rio de Janeiro, o filme traz Vin Diesel, Paul Walker e um elenco estelar em uma trama de roubo audacioso, com perseguições alucinantes e o tema recorrente da “família”. Apesar do sucesso comercial e crítico, a representação do Brasil gerou polêmica, especialmente entre o público brasileiro.
Atração da Sessão da Tarde nesta sexta-feira (31/7) na TV Globo, relembre a trama, os aspectos técnicos da produção, seu elenco e o legado do filme.
O que acontece na história do filme
Velozes e Furiosos 5: Operação Rio começa onde o quarto filme termina: Dominic Toretto (Vin Diesel) é resgatado da prisão por Brian O’Conner (Paul Walker) e Mia Toretto (Jordana Brewster) em uma sequência de ação envolvendo a capotagem de um ônibus. Foragidos, eles se refugiam no Rio de Janeiro, onde se reúnem com Vince (Matt Schulze).
O grupo planeja roubar carros de um trem, mas a operação dá errado quando descobrem que os veículos contêm um chip com informações sobre as atividades criminosas de Hernan Reyes (Joaquim de Almeida), um poderoso traficante carioca. Perseguidos pelo agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e sua equipe, Dom, Brian e Mia recrutam uma equipe de elite – incluindo Roman Pearce (Tyrese Gibson), Tej Parker (Ludacris), Han Lue (Sung Kang), Gisele Yashar (Gal Gadot), Tego Leo (Tego Calderón) e Rico Santos (Don Omar) – para executar um assalto de US$ 100 milhões ao cofre de Reyes, enquanto lidam com a polícia local e o crime organizado.
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A trama de Velozes e Furiosos 5 é um divisor de águas na franquia, trocando as corridas de rua por uma narrativa de assalto ao estilo Onze Homens e um Segredo (2001), mas com mais explosões e menos sutileza. O roteiro, escrito por Chris Morgan, foca na construção da “família” de Dom, reunindo personagens de filmes anteriores para um objetivo comum. A ideia de lealdade e união é reforçada, com falas como “Não se vira as costas para a família” ecoando ao longo do filme.
A narrativa é direta, com ritmo acelerado e sequências de ação que desafiam as leis da física, como a cena icônica em que dois carros arrastam um cofre gigantesco pelas ruas do Rio. Apesar de divertida, a história é criticada por sua falta de coerência – como a equipe consegue equipamentos de ponta estando foragida? – e por diálogos simplistas. Ainda assim, o carisma dos personagens e a escala das cenas de ação compensam essas falhas, tornando o filme um marco na transição da franquia para blockbusters globais.
Dirigido por Justin Lin, que já comandou o terceiro e o quarto filmes, Velozes e Furiosos 5 eleva o nível das sequências de ação. A abertura, com a capotagem do ônibus, e o clímax, com o roubo do cofre, são tecnicamente impressionantes, combinando efeitos práticos e CGI. A cinematografia de Stephen F. Windon captura o Rio de Janeiro com tomadas aéreas vibrantes, destacando pontos turísticos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.
No entanto, as filmagens foram majoritariamente realizadas em Porto Rico, com apenas algumas cenas no Brasil, o que gerou críticas pela representação estilizada da cidade. A trilha sonora, com artistas como Don Omar e Ludacris, reforça a energia urbana do filme, enquanto a música “Danza Kuduro” se tornou um hino associado à produção. A edição é ágil, mas os 130 minutos de duração são considerados longos, especialmente pelo tempo gasto na introdução de cada personagem.
Quem está no elenco do filme Velozes e Furiosos 5
O elenco é um dos pontos altos do filme, reunindo nomes consagrados da franquia e novas adições. Vin Diesel entrega uma performance sólida como Dom, equilibrando o papel de líder durão com momentos de vulnerabilidade. Paul Walker, como Brian, mantém o charme de ex-policial agora integrado à “família”.

Jordana Brewster tem menos destaque, mas sustenta o lado emocional como Mia. A grande novidade é Dwayne “The Rock” Johnson como Luke Hobbs, cuja presença física e carisma roubam a cena, especialmente nos confrontos com Dom.
Tyrese Gibson e Ludacris trazem humor como Roman e Tej, enquanto Gal Gadot e Sung Kang adicionam profundidade com suas atuações contidas. Joaquim de Almeida, como Hernan Reyes, é um vilão genérico, mas funcional. A química entre o elenco, especialmente nas cenas de grupo, reforça o tema da família e sustenta o apelo emocional do filme.
Como termina o filme Velozes e Furiosos 5 (alerta spoiler!)
No clímax, Dom e Brian executam o plano de roubar o cofre de Hernan Reyes, resultando na icônica perseguição em que arrastam o cofre pelas ruas do Rio, destruindo carros e prédios. A equipe troca o cofre verdadeiro por um falso, enganando tanto Reyes quanto Hobbs. Após uma emboscada, Reyes é morto por Hobbs, que decide deixar Dom e sua equipe escaparem com o dinheiro, reconhecendo sua determinação.
A fortuna é dividida entre os membros, e cada um segue seu caminho: Roman compra um carro de luxo, Tej adquire tecnologia, Han e Gisele planejam viajar, e Brian e Mia, agora grávida, se estabelecem em uma praia. A cena pós-créditos revela que Letty (Michelle Rodriguez), dada como morta no quarto filme, está viva, trabalhando com Hobbs, preparando o terreno para Velozes e Furiosos 6.
Velozes e Furiosos 5: Operação Rio foi um sucesso comercial, arrecadando US$ 626 milhões mundialmente contra um orçamento de US$ 125 milhões, tornando-se a maior bilheteria da franquia até então. No Brasil, atraiu cerca de 5 milhões de espectadores. A crítica foi majoritariamente positiva, com o filme alcançando 77% de aprovação no Rotten Tomatoes, elogiado pela ação exagerada e pela química do elenco.
O site Omelete deu nota 3/5, destacando a mudança para o gênero de assalto como um acerto, mas criticando a falta de corridas e a representação caricata do Rio. O Papo de Cinema também elogiou a performance de Dwayne Johnson, mas apontou a duração excessiva. Entre o público, o filme é um favorito por sua energia e pela introdução de Hobbs, embora brasileiros tenham criticado a visão estereotipada da cidade.

O filme reflete o crescente interesse de Hollywood pelo Brasil na época, com eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 aproximando o país do radar global. A escolha do Rio como cenário trouxe visibilidade, mas também críticas pela representação estereotipada, com favelas retratadas como redutos de crime e corrupção. A franquia continuou sua abordagem multicultural, com um elenco diverso que inclui atores negros, asiáticos e latinos, reforçando a ideia de “família” universal. A trilha sonora, com reggaeton e hip-hop, conectou-se ao público jovem global, enquanto a ênfase em carros tunados manteve o apelo para fãs de cultura automotiva.
Velozes e Furiosos 5 é considerado o filme que transformou a franquia em um fenômeno global, abandonando as raízes de corridas de rua para abraçar ação em larga escala. A introdução de Dwayne Johnson como Hobbs abriu portas para o spin-off Hobbs & Shaw (2019), e a cena pós-créditos com Letty pavimentou o caminho para os filmes seguintes.
O sucesso comercial consolidou a franquia como uma das mais lucrativas da Universal, com Velozes e Furiosos 7 (2015) atingindo US$ 1,5 bilhão. A ênfase na “família” tornou-se o coração da saga, influenciando até outras franquias de ação. No Brasil, o filme permanece memorável, mas também controverso, pela forma como retratou o país.
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A polêmica brasileira
O aspecto mais controverso de Velozes e Furiosos 5 é a representação estereotipada do Rio de Janeiro. Filmado majoritariamente em Porto Rico, com apenas algumas tomadas aéreas no Brasil, o filme retrata a cidade como um lugar dominado por favelas violentas, corrupção policial e crime organizado. A cena em que personagens correm sobre os telhados de uma favela, perseguindo ou sendo perseguidos, reforça clichês que irritaram o público brasileiro.
Críticas no Omelete e em redes sociais destacaram o “Porto Rico de Janeiro”, apontando o uso de locações caribenhas e diálogos com “portunhol” como desrespeitosos. Para muitos, a visão hollywoodiana do Rio ignorou a riqueza cultural da cidade, reduzindo-a a um pano de fundo exótico para ação exagerada, o que gerou debates sobre estereótipos e representação cultural no cinema.

Velozes e Furiosos 5: Operação Rio é um marco na franquia, combinando ação desenfreada, um elenco carismático e a consolidação do tema da “família”. A direção de Justin Lin e a introdução de Dwayne Johnson elevaram a saga a novos patamares, garantindo seu status como blockbuster global. No entanto, a representação problemática do Rio de Janeiro, com estereótipos e filmagens em Porto Rico, permanece uma mancha em sua recepção, especialmente no Brasil.
Para fãs da franquia, o filme é um espetáculo de ação que não se leva a sério, mas para outros, é um exemplo de como Hollywood pode falhar ao retratar culturas estrangeiras. Apesar das críticas, seu impacto na franquia e na cultura pop é inegável, tornando-o um capítulo essencial na saga de Dom Toretto e sua equipe.
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