Entenda por que as tendências de moda das fashion weeks se disseminam pelo mundo
As fashion weeks nacionais e internacionais são eventos que ocorrem em diferentes polos pelo mundo, como Paris, Milão, São Paulo, Nova York e Londres, onde designers e grandes marcas de moda apresentam suas coleções para a temporada seguinte.
Como você vê nos vídeos e fotos, esses desfiles de moda não são apenas espetáculos visuais; eles servem como catalisadores para o que o mundo da moda consumirá nos meses e anos a frente. Como esquecer o resumo do mecanismo das semanas de moda e sua influência narrado por Miranda Priestly, na famosa cena do suéter azul em “O Diabo Veste Prada”?
Mas por que essas tendências de moda de fashion weeks, muitas vezes extravagantes e conceituais, conseguem se espalhar rapidamente pelo mercado global da moda, influenciando desde marcas de luxo até o fast fashion acessível?
Aqui, navegue por algumas das principais razões, e seus aspectos multifacetados, por trás dessa disseminação, abrangendo aspectos culturais, econômicos, midiáticos e sociais. Com base em análises de especialistas e exemplos históricos, entenderemos como um look apresentado em uma passarela pode se tornar onipresente nas ruas e nas vitrines de lojas ao redor do mundo.
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As semanas de moda não são eventos isolados, voltados e restritos apenas ao universo da moda. Elas representam, por seu desenvolvimento ao longo dos anos, ponta valiosa de um ecossistema interconectado que inclui designers, compradores, influenciadores, mídia e consumidores, mas também cultura, cinema, arte e tendências de comportamento e consumo.
Essa propagação não é acidental, mas resultado de mecanismos bem estabelecidos que transformam o efêmero dos criadores das passarelas em algo duradouro para além de suas barreiras criativas e de mercado.
Tendência de moda é bom para os negócios
Economicamente, a moda é um negócio global massivo, alcançando quase todos os cantos da sociedade e gerando lucros enormes. As fashion weeks impulsionam esse crescimento ao moldar tendências e cultura, influenciando varejo e preferências culturais. De modo geral, tendências seguem ciclos de 10 a 15 anos, onde estilos passados são revividos e adaptados, mantendo o mercado dinâmico.
Culturalmente, as tendências de moda são influenciadas por desenvolvimentos sociais, como tecnologia, política e mudanças demográficas. Durante a pandemia de coronavírus, por exemplo, a demanda por loungewear aumentou não por desfiles, mas por necessidades reais; no entanto, as fashion weeks pós-pandemia incorporaram esses elementos, espalhando-os ainda mais.
O ciclo de vida de uma tendência começa com a introdução de um novo estilo, como uma silhueta ou cor, e evolui através de estágios de adoção, do mercado mais nichado ao varejo que chega a mais cidades e consumidores finais.
As fashion weeks também servem como ferramenta para introduzir coleções a editores e profissionais, definindo tendências e impulsionando vendas de seus veículos de mídia impressa ou digital, o que acaba alimentando um loop de feedback onde o sucesso comercial reforça a disseminação, e vice-versa.

Exemplos históricos do impacto de tendências de moda das passarelas
Para ilustrar, pense no “New Look” de Christian Dior em 1947, apresentado em Paris, que revolucionou a silhueta pós-guerra e se espalhou globalmente via mídia e varejo – após períodos seguidos de guerras e escassez, o estilista pediu por mais tecido, mais exuberância e mais refinamento através de seus designs. Assim, o anseio por beleza e feminilidade, reprimidos as décadas anteriores, encontraram veículo perfeito para firmar as ideias de um desfile de moda em impacto cultural e social por todo o mundo.
Mais recentemente, o quiet luxury, resposta de grifes de luxo para a popularização de seus produtos através de imagens digitalmente replicadas e reproduzidas à exaustão, ganhou a passarela em construções suntuosamente polidas, minimalistas ou refinadas para definir uma estética que ainda reverbararia na beleza, na decoração e na gastronomia.
Tendências mais recentes, como o “mob wife aesthetic” (inspirado em figuras mafiosas), emergiram de desfiles em Milão e se espalharam via TikTok, influenciando coleções de fast fashion. É assim que as fashion weeks lançam tendências de moda, e também acabam por influenciar ainda segmentos culturais distintos por tabela.
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O papel dos compradores e varejistas nas tendências de moda
Os compradores profissionais (buyers) são profissionais menos reconhecidos pela mídia, mas peças-chave na cadeia de suprimentos da moda. Durante as fashion weeks, eles assistem aos desfiles para selecionar peças que serão produzidas em massa e distribuídas para lojas globais.
Grandes varejistas como Nordstrom ou Selfridges analisam as tendências apresentadas e as adaptam para suas linhas, garantindo que elementos como cores Pantone ou tecidos inovadores cheguem às prateleiras. Marcas de fast fashion, como Shein ou Renner, são notórias por replicar designs de passarela em semanas, tornando tendências acessíveis a preços baixos.
Economicamente, isso é impulsionado pela necessidade de inovação constante. A indústria da moda incentiva a rotatividade rápida de tendências de moda para criar desejo por novos produtos, embora tendências naturalmente existam sem essa pressão. As fashion weeks são instrumentos para estabelecer o tom para as tendências e estilos da temporada à frente, influenciando o que as marcas de difusão produzem e vendem.
Além disso, as fashion weeks afetam tendências globais ao fornecer perspectivas sobre o que é novo e em ascensão na indústria, permitindo que marcas maiores adaptem e escalem essas ideias. Isso cria um ciclo onde o luxo inspira o acessível, democratizando, de certa forma, as tendências de moda.

Como a mídia e as redes sociais amplificam tendências de moda das passarelas
Um dos principais vetores de disseminação das tendências de moda das fashion weeks é a sua cobertura midiática extensiva. Revistas e sites especializados, canais de televisão tradicionais e online transmitem as informações dos desfiles, muitas vezes em tempo real, analisando e replicando cada detalhe das coleções.
Essa exposição imediata cria um buzz global, fazendo com que tendências, sejam silhuetas oversized ou estampas florais, por exemplo, ganhem visibilidade instantânea. Tendências de moda moda também são feitas para criar desejo, não só pelas ideias ou itens em si. É através da cobertura de moda que veículos, por exemplo, provam que são valiosos, especialistas e constroem valor sobre seus conteúdos para quem os acompanha.
Com a explosão da internet de uso pessoal e das redes sociais a partir de meados dos anos 2000, esse processo se acelerou exponencialmente. Plataformas como Instagram e TikTok permitem que influenciadores e celebridades postem looks diretamente das passarelas, alcançando milhões de seguidores em questão de horas.
Durante uma fashion week, hashtags como #NYFW ou #PFW viralizam, espalhando imagens e vídeos que inspiram consumidores comuns à busca por semelhantes. A relevância das semanas de moda vai além do glamour e sofisticação comumente atribuídos aos eventos; elas servem como uma lente crítica para estratégias de negócios, economia cultural e o futuro da moda, influenciando diretamente as vendas e as preferências dos consumidores.
Historicamente, a mídia tem sido fundamental para transformar tendências em fenômenos culturais. Por exemplo, na década de 1980, a releitura dos looks de executiva para as mulheres com o boom profissional reinou nas fashion weeks e ajudou a popularizar o “power dressing”, que se espalhou para o vestuário corporativo feminino.
Hoje, com a democratização da informação via internet, tendências como o “quiet luxury”, de 2023, se disseminaram rapidamente após serem destacadas em desfiles de marcas como Bottega Veneta ou The Row, influenciando marcas de rua como Zara e H&M a produzir versões acessíveis.
Celebridades e influenciadores também atuam como pontes entre as passarelas das fashion weeks e o mercado de massa.
Quando uma estrela, como Zendaya ou George Clooney, aparece em um evento vestindo uma peça de uma coleção recém-apresentada, isso gera um “efeito halo” que impulsiona a demanda. Influenciadores digitais, com audiências segmentadas, reinterpretam essas tendências para contextos cotidianos, tornando-as aspiracionais e acessíveis.

Esse efeito cascata é amplificado pelo marketing de influência. Marcas convidam influenciadores para assentos na fila A de desfiles, garantindo que suas postagens alcancem nichos específicos. Se não dá para ter no desfile, marcas se aproximam de nomes de influência, da macro a micro, em eventos especiais, noites de lançamento de coleções ou em ações patrocinadas para estenderem a difusão de tendências e, principalmente, o seus produtos que as atendem durante todo o ano.
Impossível aqui também deixar de fazer o caminho reverso e ressaltar o valor criativo de nichos e subculturas. Tendências comumente surgem de movimentos culturais ou artísticos underground, e as marcas de fashion weeks tornam sua legimitação (ou apropriação) nas passarelas recursos perfeitos para se mostrarem antenadas e também sensíveis a tendências relevantes. Por exemplo, o streetwear, inicialmente impulsionado por comunidades musicais, foi adotado plenamente por designers como Virgil Abloh na Louis Vuitton, reforçando seu valor para o topo da pirâmide do luxo.
As tendências de moda das fashion weeks se espalham pelo mercado da moda graças a uma combinação de mídia amplificadora, influência de celebridades, decisões de compradores, dinâmicas econômicas e shifts culturais.
Esses eventos de moda, em suas versões mais completas, não são apenas sequências de desfiles; eles são motores que moldam, de diferentes maneiras, o que vestimos e como nos expressamos.
Em um mundo cada vez mais conectado, a velocidade dessa disseminação só aumenta, tornando a moda mais volátil e também mais abrangente com o passar dos anos. Entender esses mecanismos, descritos ainda superficialmente neste texto, nos ajuda a apreciar a complexidade por trás de uma simples tendência, convidando-nos a questionar: o que virá, e qual a importância, de tendência na próxima temporada de fashion weeks?
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