Sharon Stone narra o que houve durante doença quase fatal: ‘Eu era boa demais’
Sharon Stone, ícone de Hollywood conhecida por Instinto Selvagem e Cassino, abriu o coração em uma entrevista recente ao The Guardian sobre sua vida marcada por traumas familiares, abusos, fama meteórica e uma recuperação milagrosa após um derrame quase fatal.
Aos 67 anos, a atriz reflete sobre sua jornada, desde os desafios de sua infância até seu retorno ao cinema com Nobody 2, revelando uma força inabalável e uma franqueza que desafiam convenções, como revela em entrevista ao site The Guardian.
Stone compartilhou detalhes dolorosos sobre sua família disfuncional, descritos em sua autobiografia de 2021, The Beauty of Living Twice. Ela revelou que seu avô materno era um abusador violento e pedófilo, que espancava sua mãe, Dot, desde os cinco anos até ela deixar a casa aos nove. Stone e sua irmã também sofreram abusos na infância, embora a atriz tenha conseguido escapar de abusos mais graves por ser uma criança “esperta”.
A relação com sua mãe foi marcada por conflitos; Dot, que faleceu meses antes da entrevista, era hilária, mas dizia coisas cruéis, como ameaçar Stone em seus últimos dias de delirium. Apesar disso, Stone encontrou formas de se reconciliar com a mãe, entendendo o impacto do trauma dela em sua própria vida.
Aos 15 anos, Stone, com um QI relatado de 154, foi enviada à Edinboro State College como parte de um experimento acadêmico. Embora brilhante, ela abandonou a universidade para modelar em Nova York, iniciando sua carreira no cinema em 1980 como figurante em Stardust Memories, de Woody Allen. Sua ascensão veio com O Vingador do Futuro (1990) e, especialmente, Instinto Selvagem (1992), onde interpretou Catherine Tramell. O filme, que arrecadou mais de US$ 350 milhões, tornou-se um fenômeno, mas a cena infame de cruzamento de pernas a definiu de maneira injusta, ofuscando sua performance. Stone afirma que foi enganada para tirar a roupa íntima na cena, sem saber que seria exposta, o que a levou a considerar ações legais, mas acabou aceitando por fidelidade à personagem.
Após Instinto Selvagem, Stone brilhou em Cassino (1995), recebendo uma indicação ao Oscar por sua atuação como Ginger McKenna. No entanto, sua carreira foi interrompida por papéis escassos e de baixa qualidade. Ela acredita que sua performance excepcional em Cassino gerou inveja e desequilíbrio em Hollywood, especialmente por ofuscar atores como Robert De Niro.
Em 2001, aos 43 anos, Stone sofreu um derrame grave, com hemorragia cerebral por nove dias e apenas 1% de chance de sobrevivência. Sua recuperação exigiu reaprender a andar, falar e ler, mas a indústria a marginalizou, tratando-a como se tivesse feito algo errado ao adoecer. Depois do derrame em 2001, Stone enfrentou uma indústria que a descartou, oferecendo apenas papéis menores, como em Alpha Dog (2006) e Lovelace (2013). Sua decisão de recusar papéis “diminuídos” reflete sua busca por dignidade artística.
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Stone também enfrentou desafios pessoais, como a perda da custódia de seu filho adotivo, Roan, em 2004, parcialmente por ser estigmatizada como uma “atriz de filmes de sexo” devido a Instinto Selvagem. Mesmo assim, ela adotou mais dois filhos, Laird e Quinn, como mãe solteira, e se dedicou à pintura, com obras impressionistas e expressionistas vendidas por dezenas de milhares de dólares.
Seu ativismo também se destacou, arrecadando milhões para a amfAR e recebendo prêmios como o Nobel Peace Summit em 2013 e o Einstein Spirit of Achievement em 2007 por seu trabalho com HIV/Aids.
Atualmente, Stone está de volta com Nobody 2, onde interpreta a vilã Lendina, uma personagem que ela reformulou para refletir questões contemporâneas, como a influência das redes sociais. Ela também rejeita a ideia de um reboot de Instinto Selvagem proposto pelo roteirista Joe Eszterhas, afirmando que ele “não conseguiria escrever nem uma receita de farmácia”.
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Com seus filhos crescidos, Stone planeja novos projetos, incluindo uma participação na série Euphoria e o filme In Memoriam. Apesar de tudo, ela mantém uma visão otimista, comparando um copo vazio à possibilidade de ser preenchido novamente, simbolizando sua resiliência e renascimento.
Nascida em 10 de março de 1958, em Meadville, Pensilvânia, Sharon cresceu em uma família de classe trabalhadora. Segunda de quatro filhos, ela enfrentou um ambiente familiar marcado por abusos, como detalhado em sua autobiografia. Sua inteligência excepcional a levou a pular séries escolares e entrar na universidade aos 15 anos, mas ela optou pela carreira de modelo antes de se consolidar como atriz.

Além de Instinto Selvagem e Cassino, Stone apareceu em filmes como The Quick and the Dead (1995) e The Mighty (1998), além de papéis na TV, como em Law & Order: SVU (2010). Sua vida pessoal inclui dois casamentos (Michael Greenburg, 1984-1987, e Phil Bronstein, 1998-2004) e a adoção de três filhos. Sua pintura, influenciada por impressionismo e expressionismo abstrato, ganhou destaque, com exposições em galerias renomadas.
Instinto Selvagem (1992) foi um divisor de águas na cultura pop, gerando debates sobre sexualidade, representação LGBTQ+ e poder feminino. Apesar das críticas de grupos ativistas, que viam a personagem de Stone como uma representação homofóbica, estudiosos como Camille Paglia elogiaram a atuação de Stone como uma das maiores performances femininas da história do cinema. O filme consolidou o gênero thriller erótico e influenciou produções subsequentes, mas também limitou Stone a papéis estereotipados, como ela mesma lamenta na entrevista.
Além de Nobody 2 (2025), ela está envolvida em projetos como Euphoria (3ª temporada, HBO) e In Memoriam, indicando um retorno gradual, mas significativo, à atuação. Sua resiliência é evidente em sua habilidade de se reinventar como artista visual e ativista, mantendo relevância cultural.
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Stone é uma figura proeminente na luta contra o HIV/Aids, associada à amfAR desde 1995. Sua dedicação rendeu prêmios como o Global Citizen of the Year da UN Correspondents Association (2023) e o Nobel Peace Summit Award (2013). Sua resistência a Harvey Weinstein, descrita na entrevista, também destaca seu papel em confrontar abusos de poder em Hollywood, alinhando-se ao movimento #MeToo, embora ela tenha enfrentado essas questões muito antes de sua popularização.
Nobody 2, lançado em agosto de 2025, coloca Stone como uma vilã moderna, conectada às dinâmicas das redes sociais. O filme, estrelado por Bob Odenkirk, é uma sequência do sucesso de 2021 e reflete o desejo de Stone de interpretar papéis que ressoem com questões atuais. Sua participação em Euphoria e In Memoriam sugere uma nova fase em sua carreira, onde ela combina sua experiência com uma abordagem fresca, mantendo sua marca de autenticidade e intensidade.
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