Documentário narra jornada de brasileiro que enfrentou a invasão do Iraque
Neste sábado, 5 de julho de 2025, às 23h, a GloboNews exibe o documentário Sinfonia de um Homem Comum, uma obra que mergulha na trajetória de José Maurício Bustani, o primeiro diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).
Dirigido por José Joffily, o filme não é apenas um retrato biográfico, mas uma reflexão poderosa sobre coragem, ética e os bastidores de um momento histórico que moldou o cenário geopolítico do início do século XXI.
Se você está procurando uma história que combine tensão política, dilemas humanos e um toque de heroísmo discreto, mergulhe pelos detalhes deste caso real…
Quem foi José Maurício Bustani?
José Maurício Bustani, um diplomata brasileiro, é o coração pulsante deste documentário. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Bustani construiu uma carreira marcada pela dedicação ao serviço público e à diplomacia multilateral.
Ingressou no Itamaraty em 1965, atuando em diversos postos no exterior, incluindo Genebra e Paris, antes de assumir, em 1997, o comando da OPAQ — uma organização internacional sediada em Haia, criada para implementar a Convenção sobre Armas Químicas, que proíbe a produção, armazenamento e uso dessas armas.
Parece um trabalho técnico, quase burocrático, né? Mas o documentário mostra como essa posição colocou Bustani no centro de um furacão político.
No início dos anos 2000, com o mundo ainda abalado pelos ataques de 11 de setembro, a geopolítica global entrou em ebulição. Os Estados Unidos, sob a administração de George W. Bush, começaram a pressionar por uma invasão ao Iraque, alegando que o país possuía armas de destruição em massa.
Bustani, como chefe da OPAQ, tinha uma missão clara: garantir inspeções imparciais no Iraque para verificar a existência ou não dessas armas. E é aí que a história fica tensa.
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A trama do documentário
Sinfonia de um Homem Comum não é um thriller de ação, mas tem a tensão de um. O filme utiliza uma combinação de entrevistas, imagens de arquivo e reconstruções narrativas para contar como Bustani tentou manter a neutralidade da OPAQ em meio a pressões avassaladoras. Ele acreditava que a organização poderia evitar um conflito desnecessário ao realizar inspeções rigorosas e transparentes no Iraque.
No entanto, sua postura firme e sua recusa em ceder a interesses políticos o colocaram em rota de colisão com poderosos atores internacionais, especialmente os Estados Unidos.
O documentário detalha como Bustani enfrentou tentativas de intimidação — incluindo relatos de ameaças veladas — e, eventualmente, foi afastado do cargo em 2002, em uma votação controversa impulsionada por pressões externas. A remoção foi inédita e chocou a diplomacia internacional. Muitos consideram esse episódio uma interferência direta do governo norte-americano em uma instituição multilateral.
A narrativa não pinta Bustani como um herói intocável, mas como um homem comum — daí o título — que tomou decisões extraordinárias em nome de princípios éticos. O filme nos faz refletir: o que você faria no lugar dele, sabendo que suas escolhas poderiam mudar o curso da história?
Por que o título “Sinfonia”?
O nome do documentário é uma metáfora poderosa. Uma sinfonia é uma composição complexa, com diferentes instrumentos e movimentos que, juntos, criam algo maior que a soma das partes. A vida de Bustani, como retratada no filme, é assim: uma combinação de momentos de coragem, dúvida, resistência e sacrifício, todos orquestrados em um contexto de caos global.
A trilha sonora, aliás, reforça essa ideia, com uma música que alterna tons melancólicos e momentos de tensão, capturando a emoção da narrativa. Há momentos em que o silêncio é tão eloquente quanto uma orquestra.
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O contexto histórico
Para entender a relevância de Sinfonia de um Homem Comum, é preciso voltar ao início dos anos 2000. A invasão do Iraque em 2003 foi justificada, em grande parte, pela alegação de que Saddam Hussein possuía armas químicas e biológicas. No entanto, as inspeções da OPAQ, lideradas por Bustani, indicavam que não havia evidências concretas disso.
O documentário sugere que, se Bustani tivesse continuado no cargo, o trabalho da OPAQ poderia ter desmentido as narrativas que levaram à guerra — uma guerra que resultou em centenas de milhares de mortes e desestabilizou o Oriente Médio por décadas.

O filme não é panfletário, mas deixa claro o peso das decisões políticas naquela época. Ele nos convida a questionar: e se a diplomacia tivesse prevalecido? E se a verdade tivesse tido mais espaço antes dos tambores de guerra?
Vale lembrar que, anos depois, a OPAQ receberia o Prêmio Nobel da Paz de 2013 — um reconhecimento à importância do seu trabalho pela paz mundial, mesmo que Bustani já não estivesse mais à frente da organização.
A produção e o impacto
Dirigido por José Joffily, um cineasta conhecido por seu trabalho em documentários históricos, Sinfonia de um Homem Comum é uma coprodução internacional que levou anos para ser concluída. O filme estreou em festivais de cinema em 2022, recebendo elogios por sua abordagem sensível e pela maneira como humaniza uma figura pouco conhecida do público geral.
Além de Bustani, o filme traz depoimentos de colegas diplomatas, jornalistas e até familiares, que ajudam a pintar um quadro mais humano do protagonista. Não espere um documentário cheio de jargões técnicos; ele é acessível, com uma linguagem que explica o contexto sem entediar.
E, olha, mesmo que você não seja fã de política internacional, a história de um cara que enfrentou gigantes por acreditar no certo é universal e emocionante.
A exibição na GloboNews, neste sábado às 23h, é uma oportunidade de ouro para assistir a Sinfonia de um Homem Comum.
Além disso, o momento da exibição é significativo. Vivemos tempos em que a verdade e a ética na política são constantemente desafiadas. A história de Bustani ressoa como um lembrete de que indivíduos, mesmo os “comuns”, podem fazer diferença quando escolhem agir com integridade.
Conexão com o Brasil
Para o público brasileiro, Sinfonia de um Homem Comum tem um apelo especial. Bustani é um carioca que levou o nome do Brasil para o cenário internacional. O documentário destaca sua formação e os valores que ele trouxe da cultura brasileira, como a busca por diálogo e consenso.
Em um momento em que o Brasil busca reforçar sua presença em fóruns globais, a história de Bustani é um lembrete do impacto que um brasileiro pode ter no mundo — e de como nossa diplomacia pode ser uma ferramenta poderosa a serviço da paz.
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Para quem é esse documentário?
Sinfonia de um Homem Comum é para quem gosta de histórias reais que misturam política, ética e drama humano. Se você curte documentários como O Dilema das Redes ou Citizenfour, vai se amarrar na forma como este filme destrincha um episódio complexo sem perder o lado humano.

É também uma ótima pedida para quem se interessa por diplomacia, história contemporânea ou simplesmente por histórias de pessoas que enfrentam sistemas muito maiores que elas. O filme passou por eventos como o Festival de Documentários de Amsterdã (IDFA) e o Festival do Rio, onde foi aplaudido por sua narrativa envolvente.
Sinfonia de um Homem Comum é mais que um documentário; é uma janela para um momento crucial da história recente e uma celebração da coragem de um brasileiro que, mesmo sendo um “homem comum”, ousou desafiar gigantes. A exibição na GloboNews neste sábado, 5 de julho de 2025, às 23h, é a chance perfeita para mergulhar nessa história.
Não é só sobre política — é sobre o que significa fazer o certo, mesmo quando o mundo inteiro parece estar contra você. Então, bora assistir e depois compartilhar o que achou? Afinal, histórias como essa merecem ser contadas e debatidas.
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