Quando pensamos em alta joalheria histórica, imaginamos peças que unem maestria artesanal, dezenas de quilates em pedras preciosas e narrativas dignas de romances épicos. Poucas criações no mundo encapsulam tanto luxo e drama quanto o célebre colar de platina e diamantes criado em 1939 pela prestigiada grife francesa Van Cleef & Arpels para a realeza egípcia.
A joia, que voltou recentemente às manchetes internacionais após um audacioso furto em um museu europeu, carrega uma trajetória fascinante de casamentos reais, exílio, leilões milionários e uma sofisticação estética incomparável. Se você adora bastidores da história da moda e peças que marcaram época — assim como exploramos as excentricidades da cultura pop em artigos como o meme fashion de Aaron Paul na primeira fila da Burberry —, vale a pena mergulhar nos detalhes extraordinários deste tesouro.
Abaixo, detalhamos tudo sobre a criação da joia, a exuberante Rainha Nazli do Egito, os segredos da maison Van Cleef & Arpels e, na sequência, como ocorreu o recente e cinematográfico roubo da peça.
Confeccionado em plena virada dos anos 1940, o colar é uma verdadeira escultura maleável de alta joalheria. Projetado nas oficinas parisienses da Van Cleef & Arpels — uma das casas mais icônicas da Place Vendôme —, a peça é composta inteiramente por platina e abriga impressionantes 673 diamantes brancos que totalizam cerca de 200 quilates.
O design reflete o auge da estética Art Déco tardia com influências florais e geométricas, onde cada pedra foi cravada à mão para garantir flexibilidade máxima ao contornar o colo com um brilho espelhado deslumbrante. A grife Van Cleef & Arpels, fundada em Paris em 1906 por Alfred Van Cleef e seu cunhado Charles Arpels, sempre foi sinônimo de inovação técnica — famosa mundialmente por inventar a cravação invisível (Serti Mystérieux) e por servir à aristocracia global, atrizes de Hollywood e monarquias de diversos continentes.
A imponência da joia não seria completa sem a personalidade magnética de sua primeira proprietária: a Rainha Consorte Nazli do Egito (1894–1978). Nascida em uma família aristocrática de origem turco-egípcia, Nazli casou-se com o Sultão Fuad I (que posteriormente se tornaria o Rei Fuad I do Egito) em 1919. Conhecida por sua elegância estonteante, forte personalidade e por desafiar os rígidos costumes conservadores da corte da época, Nazli circulava frequentemente pelas capitais europeias vestindo alta-costura parisiense e joias suntuosas.
O ápice da visibilidade pública do colar ocorreu em 1939, quando a Rainha Nazli o utilizou como parte de um conjunto monumental de gala — acompanhado de brincos e broches coordenados — para celebrar o casamento de sua filha, a Princesa Fawzia do Egito, com o então príncipe herdeiro do Irã (e futuro Xá) Mohammad Reza Pahlavi. A cerimônia, dividida entre Cairo e Teerã, foi um dos eventos sociais mais luxuosos do século XX.
Anos mais tarde, com as reviravoltas políticas no Egito e a queda da monarquia liderada por seu filho, o Rei Farouk, a Rainha Nazli mudou-se para os Estados Unidos, levando consigo parte de seu valioso acervo pessoal de joias. Após o seu falecimento, o colar circulou por coleções privadas de elite até ser colocado em leilão pela prestigiada casa Sotheby's em Nova York em 2015, onde foi arrematado por mais de US$ 4,3 milhões antes de integrar exposições internacionais de museus.
A trajetória da joia ganhou um capítulo policial dramático na última quinta-feira (27), quando o colar estava em exibição temporária no prestigiado MAK (Museu de Artes Aplicadas de Viena), na Áustria, integrando a mostra especial "Glanzstücke: Van Cleef & Arpels High Jewelry × Masterpieces from the MAK Collection".
O assalto foi executado à luz do dia de maneira fria e calculada. Dois homens compraram ingressos regulares na bilheteria e entraram no museu como visitantes comuns. Assim que localizaram a sala expositiva que abrigava a peça histórica, a dupla sacou um martelo, estilhaçou a vitrine de vidro blindado que protegia a joia sob os olhares atônitos de dezenas de visitantes, apanharam o colar de 673 diamantes e fugiram a pé pelas ruas centrais de Viena antes que a segurança pudesse intervir.
A polícia austríaca mobilizou uma força-tarefa com cães farejadores e barreiras no trânsito central, investigando se o furto foi encomendado por colecionadores do mercado clandestino internacional. Especialistas temem que, devido à notoriedade da peça, os criminosos possam tentar desmontar o colar para comercializar os diamantes individualmente — o que representaria uma perda irreparável para o patrimônio cultural mundial.
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Atualizado em 29 de agosto de 2026. Quem faz: curioso profissional, publico conteúdo de moda, cultura e vida digital desde 2006. Entre em contato: [email protected].