A história real de Celine Song, a diretora de Vidas Passadas, é tão emocionante quanto o filme
Ela se sentou num bar em Nova York entre o marido e o namorado de infância que tinha voado da Coreia do Sul só para vê-la. E ficou traduzindo a conversa dos dois, em inglês e coreano, enquanto sentia que estava traduzindo duas versões de si mesma ao mesmo tempo. Desse momento nasceu Vidas Passadas.
Vidas Passadas passa quinta-feira, 12 de março de 2026, na Globo, na Sessão da Tarde e, se você ainda não viu, vai entender por que o filme emocionou o mundo inteiro.
Mas tem algo que a maioria das pessoas não sabe: a história que está na tela é quase um espelho da vida real da diretora Celine Song. E conhecer essa história muda completamente a forma de assistir ao filme.
Quem é Celine Song
Celine Song nasceu na Coreia do Sul e se mudou ainda criança para o Canadá com os pais, exatamente como a personagem Nora faz no filme. Ela cresceu dividida entre dois idiomas, duas culturas e duas versões de si mesma, uma que ficou para trás em Seul e outra que foi sendo construída no Ocidente.
Antes de virar diretora de cinema, Celine se tornou dramaturga aos 20 anos. Escrever sobre identidade, imigração e amor sempre foi o centro do seu trabalho. Mas foi um único momento em um bar de Nova York que mudou tudo.
A noite que originou o filme
Celine estava casada com o roteirista americano Justin Kuritzkes quando recebeu a visita de um namorado de infância que havia viajado da Coreia do Sul especialmente para vê-la. Os três acabaram juntos num bar no centro de Nova York.
Ali sentada entre os dois, Celine percebeu que estava traduzindo a conversa de um para o outro, do inglês para o coreano e do coreano para o inglês. E em algum momento daquela noite, ela entendeu o que estava acontecendo de verdade.
“Na verdade, eu estava traduzindo duas partes de mim mesma”, ela contou em entrevistas. “Aquele momento encapsulava o meu passado, o meu presente e o meu futuro ao mesmo tempo.”
Foi aí que ela decidiu fazer o filme.
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O que é real e o que é ficção em Vidas Passadas
Celine é clara sobre isso: Vidas Passadas não é um documentário sobre a própria vida. Ela não quis que a atriz Greta Lee a imitasse ou recriasse uma pessoa real. Pediu que ela criasse uma Nora que o público fosse descobrindo aos poucos.
Mas os sentimentos são todos reais. A sensação de estar entre dois mundos que não se comunicam. A pergunta impossível sobre o que teria sido a vida se as escolhas tivessem sido outras. A melancolia de encontrar alguém do passado e perceber que as duas pessoas que se amaram em algum momento simplesmente não existem mais do mesmo jeito.
“Não há vilões humanos na história”, ela disse numa entrevista. “Há apenas 24 anos e o Oceano Pacífico. Brinco que isso é que é o vilão da história.”

Por que o filme tocou tanta gente ao redor do mundo
Vidas Passadas estreou no Festival de Sundance em 2023 e imediatamente virou o filme mais comentado do ano. Chegou ao Oscar indicado a Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. O diretor Christopher Nolan o escolheu como um dos seus filmes favoritos recentes.
Mas a crítica especializada não explica sozinha o impacto do filme. O que explica é o que Celine Song percebeu enquanto o filme circulava pelo mundo.
“Sinto que sei mais sobre histórias de namorados de infância de estranhos do que qualquer outra pessoa”, ela disse, “porque o filme que fizemos juntos faz o público querer compartilhar. Isso os faz falar sobre suas próprias vidas.”
Pessoas comprometidas saíam do cinema querendo ligar para o parceiro e dizer o quanto o amavam. Pessoas solteiras saíam querendo reencontrar alguém do passado. E tinha ainda quem dissesse que Vidas Passadas tinha ajudado a superar um ex. O mesmo filme, experiências completamente opostas, dependendo de quem estava na poltrona.
A cena que resume tudo
Tem uma cena no final do filme que é considerada uma das mais emocionantes do cinema recente. Não tem muito diálogo, não tem música dramática, não tem nada de grandioso. São só duas pessoas na calçada de Nova York, de madrugada, tentando se despedir.
Celine Song disse que quando assistia às filmagens dessa cena, precisava sair do set para chorar. Não porque a cena fosse típica de filme triste. Mas porque ela sabia que aquilo era verdadeiro, que aqueles sentimentos existiram de verdade, em alguma noite parecida, com pessoas reais.
E é exatamente isso que você vai sentir amanhã assistindo ao filme.

Onde assistir Vidas Passadas além da TV
O filme passa amanhã na Globo, mas também está disponível para aluguel e compra no Google Play Filmes, Apple TV e Amazon Video, e no catálogo do Telecine via Amazon Channel.
Se você perdeu a transmissão ou quiser rever, vale muito a pena.
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