Conheça a história real por trás do filme de drama A Colheita da Fé
Em tempos em que a fé muitas vezes parece uma palavra distante da rotina, o filme “A Colheita da Fé” (All Saints, 2017) representa um lembrete de que esperança e propósito podem nascer nos lugares mais improváveis.
Dirigido por Steve Gomer e estrelado por John Corbett, o longa é atração da sessão Corujão na madrugada deste sábado, 1 de novembro de 2025, na TV Globo.
Baseado em uma história real que aconteceu em uma pequena cidade do Tennessee, o filme conta como esses acontecimentos uniram um pastor em crise com um grupo de refugiados birmaneses em busca de um novo lar.
Mais do que um drama religioso, A Colheita da Fé é um retrato humano e emocional sobre o poder da empatia e do trabalho coletivo. O filme resgata uma história de fé, mas também fala de resiliência, acolhimento e da força da comunidade diante das adversidades. Conheça sua história completa…
O que acontece no filme A Colheita da Fé
A história começa com Michael Spurlock (John Corbett), um ex-vendedor de papel transformado em pastor recém-ordenado que é enviado para uma paróquia rural em declínio — a All Saints Episcopal Church, no Tennessee. A missão parece simples: preparar a venda da igreja e encerrar suas atividades, já que o número de fiéis havia despencado e a comunidade não conseguia mais se sustentar.
Mas a chegada inesperada de um grupo de refugiados birmaneses, sobreviventes de perseguições religiosas e conflitos étnicos, muda o rumo do que seria apenas um fechamento burocrático. O encontro entre Spurlock e os imigrantes, que buscam abrigo e uma chance de recomeçar, transforma uma paróquia moribunda em um espaço vivo de fé, solidariedade e esperança.
Movido por uma inspiração quase divina, o pastor propõe algo impensável: transformar as terras da igreja em uma fazenda comunitária, onde os membros da congregação e os refugiados trabalhariam juntos para produzir alimentos e sustentar a todos.
Baseado em uma história real
O mais inspirador em A Colheita da Fé é que tudo isso realmente aconteceu. Michael Spurlock é uma pessoa real — e seu relato foi publicado em um livro autobiográfico que inspirou o roteiro do filme.
Em 2007, ele assumiu a pequena igreja de Smyrna, no Tennessee, com a mesma missão: encerrar suas atividades e vender a propriedade. A chegada dos refugiados Karen, grupo étnico da Birmânia (atual Mianmar), colocou sua fé à prova. Em vez de seguir o plano da diocese, Spurlock decidiu ouvir o que acreditava ser um chamado divino: usar as terras da igreja para plantar e trabalhar junto com os recém-chegados.
O projeto cresceu. O campo se tornou fonte de alimento, renda e, sobretudo, dignidade. E mesmo diante das dificuldades financeiras e da resistência de alguns superiores, a experiência se tornou um testemunho vivo de fé aplicada na prática — e não apenas no púlpito.

Curiosidades dos bastidores do filme
O filme foi lançado pela Sony Pictures sob o selo Affirm Films, especializado em produções de temática espiritual e familiar. O diretor Steve Gomer, conhecido por sua sensibilidade em retratar dramas humanos, escolheu uma abordagem realista e emocional. A câmera acompanha o cotidiano da comunidade sem glamourização, destacando o peso das decisões, a humildade dos personagens e o ambiente rural que se torna quase um personagem à parte.
John Corbett entrega uma atuação contida, mas profundamente humana, transmitindo as dúvidas e o conflito moral de um homem dividido entre dever e compaixão. Ao seu lado, Cara Buono interpreta Aimee, a esposa de Michael, que oferece o contraponto de equilíbrio e afeto no meio das incertezas.
A produção também se destacou pelo cuidado em retratar os refugiados Karen com autenticidade. Muitos dos figurantes e coadjuvantes vieram de comunidades reais de refugiados nos Estados Unidos, o que trouxe veracidade à representação cultural e linguística.
O longa foi filmado em locações reais no Tennessee, e o verdadeiro Michael Spurlock participou ativamente do processo de produção, revisando o roteiro e oferecendo consultoria para que a história permanecesse fiel aos acontecimentos. Outro detalhe curioso é que parte da arrecadação do filme foi revertida para programas de apoio a refugiados e comunidades agrícolas locais, reforçando o próprio espírito da narrativa.
O que o filme A Colheita da Fé traz em sua mensagem
A Colheita da Fé foge do estereótipo do “filme religioso” tradicional. Não é um sermão em forma de roteiro, mas uma narrativa sobre fé como atitude, mais do que como crença. O filme trata da importância de ouvir o outro, de reconhecer o sofrimento alheio e de entender que o verdadeiro propósito espiritual se revela no encontro humano.
A história também aborda migração, pertencimento e solidariedade — temas extremamente atuais, que dialogam com o cenário mundial de deslocamentos forçados. Ao trazer para o centro da narrativa pessoas marginalizadas e invisibilizadas, o longa amplia a noção de comunidade para além da religião: é sobre humanidade.
Lançado em 2017, o filme teve recepção positiva entre o público e a crítica especializada por sua abordagem sensível e inspiradora. Embora discreto em bilheteria, foi elogiado por seu equilíbrio entre drama e espiritualidade.
A crítica destacou especialmente o tom sóbrio da direção e a autenticidade da história, contrastando com produções do gênero que tendem à idealização.
Mais do que entretenimento, A Colheita da Fé se tornou um instrumento de reflexão sobre o papel das igrejas e comunidades religiosas no mundo contemporâneo: como acolher, compartilhar e agir diante da necessidade do outro.
A própria igreja All Saints de Smyrna continua ativa até hoje, preservando o legado do projeto que inspirou o filme — e servindo como símbolo de que fé e compaixão podem realmente transformar realidades.
Como o filme A Colheita da Fé termina: alerta spoilers!
No clímax do filme, depois de uma temporada difícil no plantio e diante de diversos obstáculos — solo difícil, falta de recursos, resistência da comunidade local e da hierarquia da igreja — o pastor Michael Spurlock decide firmemente que a igreja não será vendida.
Ele convence a liderança da diocese a permitir que a congregação e os refugiados da etnia Karen utilizem a terra para cultivar juntos. Essa decisão marca a virada: o terreno da igreja deixa de ser visto apenas como ativo para venda e passa a ser instrumento de missão, geração de renda e transformação comunitária.
Na sequência final, vemos a colheita sendo realizada, a parceria entre os membros da igreja e os Karen produzindo vegetais, e o lugar que antes era símbolo de encerramento se tornando símbolo de recomeço. A congregação pequena resulta em comunidade renovada e a igreja, em vez de desaparecer, encontra um novo propósito. O filme termina com a igreja firmemente de pé, a fazenda funcionando, e os refugiados integrados como participantes ativos desse projeto — reunindo fé, ação e comunidade.

Finalmente, o encerramento enfatiza o impacto além das paredes da igreja: o solo cultivado simboliza “plantar para o futuro” e a colheita torna-se metáfora do que acontece quando fé, responsabilidade e acolhimento se combinam. A cena final convida o espectador a refletir que o verdadeiro legado da igreja não é apenas permanecer de portas abertas, mas transformar vidas e espaços — e que essa transformação já está em curso.
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