Documentário Can’t Look Away revela lado mais sombrio das redes sociais

O lado mais sombrio das redes sociais no documentário Can't Look Away

As redes sociais tornaram-se uma força inevitável em nossas vidas, moldando como nos conectamos, compartilhamos e percebemos o mundo. Mas a que custo?

O documentário Can’t Look Away: The Case Against Social Media mergulha nas consequências devastadoras do poder descontrolado das redes sociais, expondo como essas plataformas podem causar danos reais. De acordo com o jornal The Guardian, o filme desenha um retrato contundente da crueldade das redes sociais e seu papel em amplificar o sofrimento.

Dirigido por Matthew O’Neill e Perri Peltz, Can’t Look Away baseia-se no trabalho investigativo da jornalista da Bloomberg, Olivia Carville, e acompanha o Social Media Victims Law Center em sua luta contra gigantes da tecnologia, como Snapchat.

O documentário destaca histórias de famílias que sofreram perdas trágicas devido a conteúdos extremos não regulados nas redes sociais: crianças e adolescentes que morreram ao imitar vídeos de autoasfixia ou pró-suicídio, vítimas de sextorsão ou que sofreram overdoses após comprar medicamentos sem receita de traficantes online. Um caso marcante é o de Alexander, um jovem de 14 anos que, segundo sua mãe Amy Neville, comprou uma pílula falsificada com fentanil por meio de um traficante no Snapchat, resultando em sua morte.

A força do filme está em sua análise implacável de como as redes sociais distorcem a realidade e exploram vulnerabilidades. Documentos internos revelados por um whistleblower do Facebook mostram como as empresas entendem os jovens como “animais de manada” com “narrativas de viciados”, usando cinismo para atrair usuários jovens. A crítica elogia o documentário por sua profundidade emocional, capturando o luto de pais que agora lutam por justiça e conscientização.

O aspecto mais preocupante do documentário é a revelação de como as redes sociais permitem e agravam danos no mundo real. Os algoritmos que impulsionam o engajamento em plataformas como TikTok e Snapchat transformam tragédias em conteúdos virais, recompensando sensacionalismo e desinformação.

Leia também…

Essa amplificação algorítmica não apenas distorce a verdade, mas também facilita a disseminação de conteúdos perigosos, como vídeos de suicídio ou tráfico de drogas, sem supervisão adequada. O filme expõe a crueldade das redes sociais, destacando como elas exploram tragédias pessoais para gerar cliques e visualizações.

Isso é particularmente alarmante diante da falta de responsabilidade das plataformas que lucram com esse conteúdo. O documentário aponta, por exemplo, como o Snapchat parece ter fechado os olhos para traficantes de drogas em sua busca por expandir a base de usuários. Esse poder descontrolado dos algoritmos, que priorizam engajamento acima da ética, é o cerne do problema—um sistema que prospera com o sofrimento sem considerar o custo humano.

A história contada em Can’t Look Away é um lembrete doloroso de como as redes sociais podem amplificar danos enquanto se apresentam como ferramentas de conexão. O documentário nos força a enfrentar questões desconfortáveis: Como as plataformas moldam nossa percepção da realidade? E quem paga o preço quando os algoritmos priorizam lucro acima das pessoas?

Can’t Look Away é um poderoso chamado à ação, instando-nos a repensar nossa relação com as redes sociais. A representação angustiante dessas histórias e suas consequências exige que pressionemos as plataformas para priorizar a ética acima do engajamento.

Leia também…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *