Engraçado, sim. Querido? O número de fãs não nega. Agora, fashion? Essa é a faceta nova de Jerry Seinfeld que a Rag & Bone quis apresentar junto com a coleção masculina de verão 2015 — há quem diga a troca da passarela pelo lookbook-instalação tem a ver com o budget mais apertado das grifes do grupo Theory nos últimos meses.
Marcus Wainwright e David Neville elencaram o comediante e mais um casting de homens “reais” (= de manequim maior que 38) para posar com as novidades em um projeto fotográfico clicado por Andreas Laszlo Konrath, com um resultado tão cool quanto a alfaiataria moderna que veste seus convidados. Além de Jerry (em tempos distantes da famosa camisa branca bufante que virou marco “fashion” de sua famosa série), entram na frente das câmeras o hairstylist Gerald Decock, o jogador de basquete Carmelo Anthony (cuja esposa, La La, é figura de filas A), Colin Spoelman, expert em whisky, o escritor Glen O’Brien, e até um nome feminino, o da maquiadora Gucci Westman (já que tá valendo levar mulheres para as coleções masculinas).
A iniciativa pode ser vista como aposta midiática certeira — a escolha de Jerry gerou manchetes instantâneas ao redor do mundo —, mas no conjunto da obra, os personagens (colocados, devidamente, ao lado de um grupinho de modelos) servem também para mostrar como o alfabeto de estilo masculino da Rag & Bone pode ser levado, sem medo, para um público bem mais variado do que os garotos novinhos do casting de seu desfile anterior. Bravo! A galeria completa pode ser vista no Facebook da Rag & Bone, clicando aqui.
O momento fashion do encerramento da Copa no Maracanã: Gisele Bündchen, linda, acompanhou o espanhol Carles Puyol para apresentar a taça do mundial antes do jogo final. O look da top? O vestido final do desfile resort 2015 da Louis Vuitton, mesma label que assina o case grifado, logo à frente. Aprovado?
Jared Leto pegou uma calça e um belo par de botas cowboy da coleção Paris-Dallas da Chanel e montou o look loucurinha com o qual apareceu na fila A do desfile couture da grife, nesta terça (8). É demais, mas Jared é um dos poucos homens famosos que abraça, com gosto, a causa do roqueirinho-fashion-de-grife. Segura, peão.
Ainda dá pra chamar de vestido-camiseta se ele aparecer na sua interpretação mais glamourosa todo repleto de cristais sob um bustiê-corselete assimétrico e saia ampla feita para mostrar, e não para cobrir, as pernas? É o que achei de mais legal na passarela da Atelier Versace, que abriu os trabalhos dos desfiles couture de inverno 2014, em Paris. Alta-costura, com gostinho de pronto pra vestir.
Melhor que os drinks à mão foi a turma que cortou a primeira fila oficial e sentou no chão pra ver mais um desfile roqueiro do masculino da Saint Laurent bem de perto, na frente dos convidados VIPs, nesse domingo (29) em Paris . (via)
Na segunda “primeira fila”: Alex Kapranos e Miriam NewmanO sul-coreano G-Dragon, da Big BangLily McMenamyFrançois-Henri Pinault (moderno) com Lenny Kravitz: quem usou a jaqueta de smoking melhor? (risos)
A noiva mais lindinha do fim de semana: Olivia Palermo, de suéter, short e saia, todos Carolina Herrera (mais saltos something blue) para o casamento com o ex-modelo Johannes Huebl. Quem disse que noiva precisa de mais do que isso?
Looks bons para atrizes não faltam, ainda mais quando se conta com o trabalho árduo de um bom stylist. Mesmo assim, quem acompanha as starlets que aparecem sempre bem-intencionadas a cada tapete vermelho sente a diferença que existe entre looks de nomes apenas montados versus produções de donas de estilo legítimo ou que trazem pontos extras de proximidade com a moda.
Pesquisando sobre fator fashion da atriz Jaime King depois de uma sucessão de looks bons, acabei surpreendido pela riqueza de seu passado. E não só pelos cliques de red carpet, mas também pelas imagens incríveis de sua carreira como modelo no fim da década de 90. Já que, então, a história tem um pouco mais de verdade, a brincadeira de investigar os detalhes de sua persona pública fica ainda mais divertida.
De Emilio Pucci no Guy’s Choice Awards, em maio deste ano, e de Calvin Klein Collection no CFDA Awards 2014
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Do Nebraska, Jaime (ou James, como usava na época, já que sua agência já possuía uma cliente com o memo nome) despontou para as passarelas europeias quando chegou aos 16 anos, depois de ser descoberta por um booker num shopping dois anos antes. Em sua primeira temporada de desfiles em Paris, a new-face promissora da hora ganhou projeção nos Estados Unidos com um perfil extenso, e controverso, na revista do The New YorkTimes.
Na capa da revista do The New York Times, em 1996
“At 16, a model’s life” abria, entre cliques registrados por Nan Goldin, os bastidores nada glamorosos do dia-a-dia de modelos ainda não-consagradas em tempos pré-“internet fashion” — havia ali uma vontade das boas de denunciar as desventuras sofridas por essas jovens desgarradas de suas famílias (e de suas juventudes) e alçadas ao mundo fashion, cheio de valores desvirtuados e influências nocivas sobre jovens ainda em formação (parece familiar?).
O vício em heroína e o relacionamento com Davide Sorrenti (fotógrafo como o irmão Mario, que faleceu por complicações decorrentes de seu vício) disputavam espaço na agenda corrida de King, recheada de editoriais para revistas como Vogue, Elle e Harper’s Bazaar e uma temporada como co-host do programa House of Style, maior janela da moda na programação da MTV norte-americana.
Na capa de impacto de um especial de beleza de uma Vogue internacional e na passarela do irônico desfile de verão 1998 de Alexander McQueen, o mesmo que revelaria Gisele para as passarelas fashion internacionais
Depois de uma parada na reabilitação aos 19 anos, o crossover para a carreira no cinema ganhou seu pontapé inicial. O primeiro longa, Acampamento Muito Louco, estrelado por Brad Renfro (muso teen de morte prematura), foi rodado em 1999 e teve premiére dois anos depois no Festival de Sundance. Daí, as câmeras da moda foram trocadas efetivamente pelas 35mm dos filmes, com personagens coadjuvantes em Blow, estrelado por Johnny Depp, e Pearl Harbor, além de sua atuação como uma d’As Branquelas originais (e não suas versões interraciais) na comédia de 2004.
Dois editoriais lindos estrelados por Jamie, em versão platinum e encarnando uma legítima weather girl, veja mais cliques na galeria
O título que lhe daria maior projeção nas telas e no tapete vermelho veio no ano seguinte, com a participação em dose dupla em Sin City, encarnando duas prostitutas gêmeas. A dobradinha volta ao cinema neste ano na sequência do longa, Sin City: A Dama Fatal, o que deve garantir uma temporada de looks de alto potencial fashionista durante a turnê promocional — o filme estreia em agosto. Além da carreira nas telonas, ela ainda é parte do elenco da série de televisão Hart of Dixie e conta também em seu currículo com uma participação no clipe de Summertime Sadness, como a parceira de Lana Del Rey.
De Katie Ermilio em versão moderna e de Topshop punk no gala do MET de 2013
O corpo e a vivência como modelo só ajuda o estilo eclético de Jaime. Ela aproveita a proximidade com labels famosas para seguir o caminho de “fashionista, sim”, com um closet público que mistura longos refinados, vestidos minimalistas, prints de alta saturação e etiquetas que levam tanto nomes tradicionais — Calvin Klein e Valentino são duas das marcas favoritas — quanto assinaturas de talentos mais recentes, como Jason Wu e Peter Pilotto. Quando é hora de ousadia, as apostas não tão certeiras acabam correspondidas perfeitamente pela silhueta slim, a inteligência de estilo e a persona “amo moda”, tão importante para uma atriz hoje em dia. Se uma de suas aparições mais recentes serve como pista, a sequência de looks para as premiéres do novo Sin City promete ganhar tom mais sexy, como o pretinho de detalhes metálicos da Emilio Pucci que King levou a uma premiação de público masculino. Vale acompanhar. Nas galerias, um pouco do arquivo da faceta modelo e os cliques das produções mais-mais de Jaime King (até agora).
Versão fashionista de Peter Pilotto e, à direita, com longo Valentino
“Este não é um bom momento para loucuras, quis deixar de fazer algo estranho e realmente trabalhar nos objetos para que eles sejam bons. E também desejáveis; algo que seja real, sem invenções inúteis. Partindo de um ponto de vista fashion nós sentimos que isso seria a maior novidade que poderíamos fazer. (…) Percebo isso quando vou ao meu closet e tudo parece errado. Então você acaba escolhendo algo tão antiquado que aquilo se torna a única novidade dali.”
Miuccia Prada, sobre a coleção masculina (e looks para elas) de verão 2015 apresentada nesse domingo (22), em Milão. (via)
Chelsea Handler não é a sua comediante feminina habitual. Alçada à fama por sua trajetória no canal E!, famoso por qualquer-coisices com famosos, sua presença veio para contrabalancear as horas e horas dedicadas ao universo de celebridades 24/7 da emissora com muita ironia, comentários ácidos e uma voz que desafia todas as convenções sobre a presença feminina na televisão.
A notícia desta quinta-feira (19) foi significativa: depois de sete anos no comando do único talk-show noturno comandado por uma mulher, o seu Chelsea Lately, a comediante e empresária conta agora que, com o fim do contrato, vai se dedicar a uma iniciativa ousada: um novo programa que repagina o formato de seu atual no Netflix, serviço de streaming que vem desafiando os padrões de como se assiste televisão em tempos de internet. Entre piadas infames e episódios provocadores (ou cotidianos, dependendo do seu ponto de vista) levados cruamente para a tv Chelsea promete revolucionar o serviço como a primeira atração diária do canal online, mostrando o interesse do Netflix em conquistar seus assinantes de uma nova forma, que faça com que o espectador volte com mais frequência ao serviço ao invés de assistir apenas de forma acumulativa os seus já consagrados hits (House of Cards e Orange Is The New Black).
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=LKqx8aIN_k4]Chelsea em um quadro de seu início no canal E!, dando dicas de moda para senhoras.
Considero Chelsea uma de minhas maiores inspirações do novo showbiz. Personalidades que se tornam famosas hoje em dia não seguem mais os moldes de uma estrela à moda antiga; quantos nomes atualmente conseguem de fato agradar um público tão diversificado como o da televisão? Handler respondeu essa questão e fez disso um de seus diferenciais desde seu começo no stand-up, onde abria detalhes de sua vida sexual e do background familiar desvirtuado como arma para ganhar espaço no meio tão dominado por nomes masculinos dez anos atrás. Ao ganhar aval criativo em um canal a cabo de pouca relevância, Chelsea teve liberdade para explorar o nicho que começara a delimitar: uma parcela de audiência em sua maioria feminina (os gays vieram na sequência), cansada de receber personalidades de figura de fácil digestão e politicamente correta. Com muitas piadas sobre sexo, drogas, ofensas à caretice de famosos e o amor declarado pelo álcool, aproximou-se de forma muito mais potente de seu público, que respeitava a sua honestidade sem filtros e procurava algo mais crível do que as entrevistas e gags genéricas de seus concorrentes.
Chelsea Handler entre Sandra Bullock, uma das amigas famosas, e Chuy, seu sidekick, um anão mexicano ex-presidiário e estrela de filme pornô, no talk show “Chelsea Lately”
O público, depois de cativado, abriu o bolso. Depois do lançamento de seu primeiro livro, My Horizontal Life, cada um dos títulos lançados na sequência foram ao topo da lista dos mais vendidos do NY Times (uma espécia de validação das maiores para qualquer escritor norte-americano) — como se não bastasse o topo, ao lançar Chelsea Chelsea Bang Bang e alcançar o slot #1, o lugar de baixo também respondeu à turnê promocional e foi ocupado por sua publicação anterior. Um fracasso na trajetória de sucesso serviu para mostrar o que acontece quando se tenta abraçar uma parcela maior, e mais genérica, da audiência: a adaptação para a TV aberta de seu livro Are You There Vodka? It’s me, Chelsea, transformado em sitcom, durou poucos episódios antes de ser cancelado.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=KuKO5Nxx0J8] Jennifer Aniston, outra de suas famosas amigas, apresenta o prêmio de Mulher do Ano em cerimônia da revista Glamour US, em 2011.
Dona de uma fortuna de respeito, fruto dos livros (quem é que não lê mais, mesmo?), programa de TV, um braço editorial próprio e uma produtora, Chelsea mostrou que o foco em um nicho verdadeiramente relacionado à persona levada da vida pessoal para o seu business pode, sim, garantir um retorno financeiro que se equipara às iniciativas destinadas ao grande público. Além disso, quem assiste a qualquer entrevista ou matéria sobre Chelsea percebe que essa aposta não é apenas uma escolha profissional; ao dar uma voz que não era até então reconhecida a um grupo tomado, por tanto tempo, como secundário, Handler ajuda a validar a cultura de nicho e faz questão de ser ativa no incentivo ao empoderamento de quem quer que seja visto como minoria.
Um pouquinho de tudo isso está no papo que Chelsea bateu sobre sua trajetória e sua visão com Gwyneth Paltrow, mais uma das amigas estreladas, em um encontro promovido pela organização Live Talks LA, que vale assistir no player abaixo. Em entrevistas mais recentes, ela conta que, com o fim de Chelsea Lately, pretende aproveitar um pouco do tempo de folga; o novo programa no Netflix vem apenas em 2016.