“Nunca recebi por um filme o mesmo que meus colegas masculinos”, confessouDiane Kruger durante o encontro do projeto Women In Motion pilotado pelo grupo Kering nesta quarta-feira (24.05), em Cannes. A iniciativa é dedicada à discussão dos desafios da indústria cinematográfica enfrentados por seus nomes femininos e ao destaque de suas estrelas notáveis. No topo do Hotel Majestic, a poucos passos do tapete vermelho do festival de cinema, uma programação de debates com estrelas femininas e nomes da indústria coloca o assunto em pauta anualmente desde 2015.
“Os filmes mais honestos que já fiz foram dirigidos por mulheres. A mudança é lenta, mas vejo vigor nas novas gerações de meninas cada vez mais dispostas a conquistar espaço na criação ou nos negócios. Não é só para nós atrizes, mas também para qualquer mulher que procura oportunidade nos cargos técnicos essenciais para um filme”, completou. Ainda no encontro, a atriz contou também que estreia em breve como diretora em curta voltado ao estímulo de jovens cientistas femininas.
Como detalhe fashion para o encontro, ela estrou look da coleção-cápsula que desenvolveu em parceria com a segunda linha de Jason Wu, Grey, que começa a chegar às lojas no mês de julho.
A vida de uma atriz jovem alçada ao sucesso com filmes tão marcantes foi o melhor, mas também o pior, pontapé inicial na carreira de Kristen Stewart. Fácil de entender: boa porque a jogou ao estrelato, ruim por todos os efeitos colaterais de tal projeção, contra os quais ela tenta romper há anos ao dedicar-se a projetos cada vez mais desafiadores.
Muitos deles passaram por Cannes. Como atriz, ela acumula quatro edições no histórico, mas Kristen “diretora de filme” no festival é novidade deste 2017. Ela estreia atrás da câmera com o curta-metragem Come Swim, que também leva sua assinatura no roteiro.
Em dezoito minutos, o filme traça um paralelo entre consciente e inconsciente de seu personagem principal iniciado com take lindo e lento da segunda protagonista da história, a água (no começo, do mar). A narrativa é poética e visceral, alterna entre sussurros apaixonados e aridez do corpo e da mente. Vai do afogamento à sede extrema em jogo inteligente de contradições que constrói a breve história vivida pelo ator Josh Kaye, praticamente sozinho em cena por todo o filme.
O começo é tenso, agressivo e assustador; a segunda metade é direta, realista e catártica. Ambas desenvolvidas com mão livre de cinematografia e, ao mesmo tempo, execução precisa (surpreendente) sob o olhar de Stewart. Dualidade é palavra-chave.
Ainda que a produção seja desconectada da faceta pública de sua criadora, não é difícil aventurar-se numa projeção. Ilustro com a moda: pense na linha do tempo de estilo formada por cada uma das suas aparições em Cannes e compare a primeira pose no tapete vermelho da Croisette com a atitude deliciosamente ousada do Chanel (mais cabeça raspada) desfilado na noite do último sábado (20.05). Aí, compare com o embate entre uma trajetória profissional sufocante versus a liberdade de um pulo desconcertado, mas revigorante no mar como o que encerra o filme.
Cannes teve um papel fundamental em construir o status estrelado de Kristen – por ele, passaram quase todos os seus principais filmes mais corajosos. Nada mais justo que seu début como autora, um mergulho de cabeça, deixe sua marca por aqui.
Em tempo: o filme foi produzido em parceria com o Refinery 29 Studios, braço audiovisual da plataforma focada no olhar e no empoderamento femininos, da moda à sétima arte, conduzida por Piera Gelardi, uma de suas fundadores a quem ouvi dois dias antes na The Next Web Conference, em Amsterdã. Contarei mais em breve!
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No vídeo de hoje, Luigi, Giu e Guga contam como fazem a leitura de um desfile e compartilham dicas amigas para quem também quer dar um passo a mais na hora de refletir sobre o que vem das passarelas. Contem pra gente os elementos que vocês mais gostam de analisar quando assistem aos desfiles e continuem o papo nos comentários do vídeo, siga o link!
Jacquemus – “Les Santons de Provence” @ Marselha. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.
“Amo o azul, o branco, o sol, Marselha e os anos 1980”. É assim que Simon Porte Jacquemus resume sua biografia em uma de suas redes sociais. Todos os elementos citados foram reunidos em Marselha entre os dias 13 e 14.05 na agenda do projeto Marseille Je T’aime, produzido pelo designer em homenagem à cidade.
No sábado (13.05), a programação começou com a abertura da exposição que ocupa duas salas do Museu de Arte Contemporânea, onde Simon reinterpretou a geometria de sua moda com o primeiro trabalho em escultura. Composta por esfera e cubo brancos, ela recebia nas laterais diferentes peças de seu acervo em ambiente decorado com flores de girassol. Na galeria adjacente, itens do acervo da marca vestiam as esculturas humanas inspiradas no trabalho de Wili Dorner e fotografadas pelo colaborador David Luraschi com os famosos calanques da região ao fundo.
Exposição #1: formas nas esculturas, roupas flat no Museu de Arte Contemporânea de Marselha. Foto de Guga Santos.Fotos de David Luraschi para o projeto, com os calanques de Marselha ao fundo, parte da exposição. Foto de Guga Santos.
O MuCEM, Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, dono de uma construção moderna entre o mar de Marselha e seu forte, recebeu no domingo (14.05) mais uma exposição preparada pelo designer, esta à convite do festival Open My Med que ocupa anualmente seu espaço. Em Images, inúmeros vídeos de bastidores, familiares e do cotidiano de Jacquemus construíam o mural audiovisual que decifrava de parte de seu processo criativo.
Exposição #2: mural audiovisual com cada traço da vida de SImon Porte que ganha reinterpretação na moda que faz. Foto de Guga Santos.
O grande evento, porém, foi deixado para momentos antes do pôr do sol. Convidados (muitos a bordo de looks da grife) assistiram à uma reedição do desfile Les Santons de Provence, da coleção verão 2017, que encerrou o fim de semana no topo da locação. Este foi o primeiro desfile de moda já realizado em Marselha.
Como uma declaração de amor, a apresentação ganhou força emocional ao ter como pano de fundo a vista paradisíaca do mar e das montanhas que emolduram a enseada. Apesar da lotação máxima, o show (também aberto ao público) parecia tão pessoal quanto cada uma das criações apresentadas originalmente em Paris, com direito ao próprio estilista cruzando a passarela antes mesmo do desfile começar, já sob aplausos, depois de garantir ajustes finais. No casting, um link extra: Simon convidou nomes locais para preencher a fila ao lado de modelos profissionais.
Desfile da coleção “Les Santons de Provence” no topo do MUCEM, em Marselha. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.
Além da agenda, o projeto originou livro de mesmo nome, já à venda no site da grife. Ao longo das páginas, colaborações do criador com 15 artistas convidados reinterpretam paisagens, inspirações e a moda autoral da etiqueta em ilustrações, colagens e fotografias criadas especialmente para a ocasião. Nas fotos abaixo, navegue por mais registros do evento.
Jacquemus – Marseille Je T’aime. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.Jacquemus – Marseille Je T’aime. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.Jacquemus – Marseille Je T’aime. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.Jacquemus – Marseille Je T’aime. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.Jacquemus – Marseille Je T’aime. Foto de Charlotte Lapalus/Divulgação.
Aproveitando a data que celebra a exposição no Costume Institute, em NY (e a noite do gala do MET), Altas da Moda ganha edição totalmente dedicada à estilista japonesa Rei Kawakubo, uma das mentes mais brilhantes da moda internacional. No vídeo, contamos um pouco de sua história, relembramos coleções marcantes e comentamos os principais elementos da linguagem e a importância de seu trabalho. Essa Rei é nossa rainha!
Em novo vídeo, Luigi, Giu e Guga listam os estilistas japoneses que impactaram a moda em diferentes épocas, das flores de Kenzo à inteligência dos plissados de Issey Miyake; Yohji Yamamoto, Junya Watanabe e Kansai Yamamoto completam o time. ALERTA: Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, de tão importante ganhará um (merecido) vídeo só para ela (amor).
No novo vídeo, a gente fala de apropriação cultural, pra deixar claro que a discussão de seus efeitos negativos não é mimimi ou chatice do mundo moderno. Relembre alguns exemplos recentes que envolvem a moda e continue a conversa nos comentários do vídeo com suas impressões. Como falamos durante nosso papo, o assunto rende muito debate, ainda bem!
Mexeu com uma, mexeu com o Altas! No novo vídeo, a gente engata na conversa sobre assédio sexual levantada pelo caso José Mayer e reflete sobre o papel da moda neste tipo de violência e nos padrões e valores impostos às mulheres através do que se veste. Assista, compartilhe para levar o assunto adiante e traga suas observações nos comentários do vídeo, siga o link!
Antes tarde do que nunca! Altas da moda volta ao ar com listinha afiada dos destaques do SPFW N43. No final do balanço, o retorno dos shots comemorativos para nossos desfiles favoritos. Para qual deles você beberia? Comente no vídeo!
Luigi, Giu e Guga encerram os vídeos da temporada internacional de inverno 2017 com top 5 da semana de moda de Paris: dos 100 anos da Balenciaga aos 100 desfiles de Dries Van Noten, da moda focada de Stella McCartney e Phoebe Philo na Céline ao closet para toda hora assinado por Nicolas Ghesquière na Louis Vuitton.