O Ódio que Você Semeia: filme de drama coloca efeitos da violência racial em primeiro plano

O que acontece no filme O Ódio que Você Semeia: assistir filme completo dublado

Lançado originalmente em 2018 nos cinemas, o filme de drama “O Ódio que Você Semeia” (“The Hate U Give”, no título original) adaptou para as telonas o romance homônimo da escritora norte-americana Angie Thomas.

Dirigido por George Tillman Jr., com roteiro de Audrey Wells, o filme narra a história de Starr Carter, uma adolescente negra que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Atração da Sessão da Tarde, da TV Globo, nesta terça-feira (14/10), a produção toca em temas latentes da sociedade norte-americana, e também reverberados globalmente, como racismo, violência policial e drama humano através da história da jovem.

Como curiosidade adicional, o filme traz participação, entre elenco poderoso e de grandes talentos, da cantora Sabrina Carpenter, como amiga de Starr.

A história do filme O Ódio que Você Semeia

A protagonista é Starr Carter (interpretada por Amandla Stenberg), uma jovem de 16 anos que vive no bairro predominantemente negro de Garden Heights, mas que frequenta uma escola particular com maioria branca (a Williamson Prep).

Starr aprende desde cedo com seu pai, Maverick “Mav” Carter (Russell Hornsby), como se comportar em abordagens policiais — sem movimentos bruscos, com as mãos visíveis, obedecendo instruções cuidadosamente — orientações que muitos pais negros nos Estados Unidos consideram necessárias no cotidiano de seus filhos.

A vida de Starr é impactada quando, certa noite, ela e seu amigo de infância Khalil Harris (Algee Smith) são parados por um policial branco. Khalil, fora do carro, pega uma escova de cabelo para verificar a janela por onde Starr observa, e o policial interpreta erroneamente uma arma, dispara contra Khalil e o mata. Starr presencia o crime e sobrevive.

Depois do tiroteio, Starr fica no centro de tensão entre várias forças antagônicas: a polícia, a mídia, seu bairro, seus colegas de escola, e até sua própria família. Como única testemunha ocular, ela é pressionada a depor e enfrenta desafios internos e externos para decidir se e como deve expressar sua voz e buscar justiça para Khalil.

Ao longo do filme, Starr vive conflitos de identidade — alternando entre o contexto familiar e comunitário de Garden Heights e o ambiente acadêmico segregado — e sofre chantagens, ameaças e dilemas éticos sobre exposição e segurança sob o contexto do episódio que vivenciou.

Quem é quem no elenco do filme

A força do filme reside em grande parte no elenco, que compõe personagens com peso emocional, simbólico e social…

  • Amandla Stenberg como Starr Carter — protagonista; representa a jovem dividida entre mundos sociais diferentes e confrontada com a responsabilidade de falar a verdade;

  • Russell Hornsby como Maverick “Mav” Carter — pai de Starr, ex-membro de gangue, homem que tenta proteger a família e exercitar valores de dignidade e resistência;

  • Regina Hall como Lisa Carter — mãe de Starr, figura maternal e emocionalmente atuante na família;

  • Algee Smith como Khalil Harris — amigo de infância de Starr, cuja morte desencadeia a trama central;

  • Lamar Johnson como Seven Carter — meio-irmão mais velho de Starr, filho de Maverick e de uma outra relação (parte da complexa estrutura familiar);

  • Common como Carlos — tio de Starr, policial detetive, voz conciliadora com experiência no aparato legal;

  • Anthony Mackie como King — personagem antagonista: marido de Iesha, envolvido em atividades criminosas e rival local, representa parte da violência do bairro;

  • KJ Apa como Chris Bryant — namorado de Starr na escola;

  • Issa Rae como April Ofrah — advogada comunitária ativista, orienta Starr e sua mãe no engajamento político e jurídico;

A mensagem do filme

O filme carrega uma mensagem clara e poderosa: o silêncio diante da injustiça é cúmplice da opressão. A narrativa demonstra que comunidades marginalizadas — no caso, a população negra nos Estados Unidos — são sistematicamente sujeitas à violência institucional, à distorção das narrativas sobre suas vidas e à negação de voz.

Uma das ideias centrais é justamente capturada pelo título: The Hate U Give (em referência à sigla “THUG” usada por Tupac Shakur — “The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody” — “O ódio que você transmite às crianças ferrará com todo mundo”). A mensagem implica que as injustiças — o ódio, o preconceito, a desigualdade — geram danos que ultrapassam gerações.

Starr, como figura central, representa a tensão entre se proteger, manter-se invisível e assumir responsabilidade por ser uma voz de resistência. No decorrer do filme, ela percebe que sua voz — embora frágil e ameaçada — é uma arma em si mesma.

Como termina o filme O Ódio que você Semeia

Além disso, o filme investe na ideia de que o enfrentamento não é apenas individual, mas coletivo e institucional. Ao mesmo tempo que a narrativa mostra falhas na justiça, enfatiza a importância da mobilização da comunidade e do ativismo.

Outro aspecto: o embate entre como Starr se comporta em diferentes contextos (o “código de comportamento” aprendido com seu pai vs. expectativas da escola) evidencia o fenômeno social do code-switching — a adaptação de comportamento conforme o ambiente para sobreviver ou ser aceita.

No final, o filme não oferece uma “resposta perfeita”, mas reforça que a integridade, a coragem e a persistência fazem diferença — mesmo quando o sistema parece esmagador.

Como o filme O Ódio que Você Semeia termina

Alerta spoilers!

No clímax do filme, após a morte de Khalil e a insistência de Starr em depor, um júri decide não indiciar o policial que atirou — isto é, ele é liberado legalmente de responsabilidade criminal direta. Esse veredito causa uma revolta coletiva em Garden Heights, transformando o bairro em palco de protestos, confrontos com a polícia e incêndios.

Durante esse período de tensão, Starr se envolve em debates públicos, colabora com a imprensa e mobiliza sua comunidade para que a narrativa de Khalil não seja apagada ou distorcida. Em meio a confrontos, ocorre uma ação policial massiva, com guerra de narrativas entre mídia, polícia e moradores. Starr é ameaçada e seus amigos e familiares também.

No momento final, Starr é chamada a depor, e opta por declarar a verdade com coragem, mesmo diante das pressões contrárias. A cena encerra-se com ela subindo ao estrado, olhando para frente, pronta para dizer aquilo que sabe que é justo. Embora não seja uma vitória completa — muitos danos já foram feitos, nem todos reconhecerão sua voz — o filme sugere que o ato de “falar alto” e resistir tem efeito, ao menos simbólico.

A última imagem deixa a sensação de que essa luta vai além do caso individual de Khalil: é um combate persistente contra um sistema desigual que opera na sombra. Essa conclusão aberta reforça a urgência de diálogo e mobilização.

Curiosidades e bastidores da produção

A produção de The Hate U Give envolveu escolhas delicadas e momentos dramáticos também nos bastidores…

A adaptação cinematográfica foi anunciada em março de 2016, pouco depois do sucesso do livro de Angie Thomas. As filmagens principais ocorreram entre 12 de setembro de 2017 e 4 de novembro de 2017, em Atlanta, Geórgia (Estados Unidos).

Em fevereiro de 2018, houve uma reviravolta: o ator Kian Lawley, inicialmente escalado para o papel de Chris, foi dispensado após surgirem vídeos antigos dele usando ofensas raciais. Em abril do mesmo ano, KJ Apa foi contratado para refilmagens do papel.

Qual é a mensagem do filme O Ódio que Você Semeia, da Sessão da Tarde

Outro episódio marcante: a roteirista Audrey Wells faleceu no dia anterior à estreia oficial do filme (5 de outubro de 2018), vítima de câncer. A Fox 2000 divulgou nota lamentando a perda e destacando o legado de sua voz de empoderamento.

Para adaptar o livro para o filme, alguns personagens e subtramas foram condensados, omitidos ou ajustados para o tempo e coerência dramática. Por exemplo, determinadas dimensões políticas e alguns personagens foram “enxugados” para não sobrecarregar a trama audiovisual.

A cinematografia foi assinada por Mihai Mălaimare Jr., com montagem de Craig Hayes e Alex Blatt, e trilha composta por Dustin O’Halloran.

Recepção da crítica e do público

O filme foi amplamente bem recebido pela crítica. No agregador Rotten Tomatoes, obteve avaliação positiva destacando a interpretação de Amandla Stenberg e o impacto social da narrativa. Críticos elogiaram o equilíbrio entre o drama social e o arco pessoal da protagonista, ainda que alguns apontem que o filme, por vezes, transparece como uma “introdução” ao tema para públicos não familiarizados.

Entre o público, o filme também foi bem acolhido — especialmente entre jovens que se identificavam com a temática racial. As avaliações em plataformas como IMDb dão nota média de 7,5/10.

Em termos de bilheteria, The Hate U Give arrecadou cerca de US$ 34,9 milhões mundialmente, com orçamento estimado em US$ 23 milhões. Embora não tenha sido um sucesso de bilheteria estrondoso, muitos relatos afirmam que o filme atingiu seu público-alvo com eficácia.

Para quem vai assistir ao filme completo, vale observar atentamente:

  1. A evolução de Starr: como ela muda de menina “que se adapta” para alguém que reconhece que sua voz importa.
  2. A tensão entre silêncio e fala: em muitos momentos, o filme mostra que não se trata de escolher entre um polo ou outro, mas de encontrar coragem para romper o silenciamento.
  3. A força da coletividade e do ativismo: o filme insiste que a luta não é individual, mas exige união, visibilidade e participação social.
  4. As contradições internas: Starr vive dilemas ao confrontar amigos de escola, mídia e imprensa que tentam distorcer a narrativa de Khalil, ou que culpabilizam a vítima.
  5. O simbolismo do final: embora não seja uma “vitória total”, o ato de Starr permanecer firme e falar a verdade carrega peso simbólico — um chamado para que espectadores reflitam sobre suas próprias vozes e o papel que assumem frente às injustiças.

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