Por que o Instagram demorou 15 anos para lançar versão para iPad
Após uma espera que se estendeu por mais de uma década e meia, o Instagram finalmente lançou uma versão nativa de seu aplicativo para iPad nesta quarta-feira, 3 de setembro de 2025.
A novidade, que chega como a versão 396 do app, marca o fim de uma era em que usuários de tablets da Apple precisavam se contentar com uma adaptação desajeitada da interface mobile ou com a versão web no navegador Safari.
Mas por que demorou tanto? Em entrevistas e declarações ao longo dos anos, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, repetiu que o desenvolvimento não era uma prioridade, citando limitações de recursos e uma base de usuários da rede social considerada insuficiente para justificar o investimento.
Prioridade mobile
O Instagram foi lançado em outubro de 2010, inicialmente como um app exclusivo para iPhone, focado em compartilhar fotos quadradas com filtros criativos.
Adquirido pelo Facebook (agora Meta) em 2012 por US$ 1 bilhão, a plataforma explodiu em popularidade, tornando-se um pilar das redes sociais com mais de 2 bilhões de usuários ativos mensais.
No entanto, enquanto o app se expandia para Android, Windows e até smart TVs, o iPad foi deixado de lado. Usuários recorriam a uma versão escalada do app para iPhone, que exibia bordas pretas e uma experiência subótima em telas maiores, ou à interface web, que carecia de recursos nativos como notificações push e upload direto de fotos.
A ausência de um app dedicado gerou reclamações constantes. Fóruns como o Reddit e o X (antigo Twitter) transbordavam de posts pedindo a novidade, com usuários argumentando que o iPad, com sua tela ampla, seria ideal para visualizar feeds de fotos e vídeos. Um tópico recente no Reddit questiona se o lançamento chega “tarde demais”, destacando a frustração acumulada ao longo dos anos.
Apesar disso, o Meta manteve o foco no desenvolvimento para smartphones, onde a maioria das interações ocorre – cerca de 90% do tempo gasto na plataforma, segundo dados internos.
As explicações do Instagram
Adam Mosseri, que assumiu a liderança do Instagram em 2018, foi o principal porta-voz para justificar o atraso. Em uma declaração de 2020, durante uma sessão de perguntas e respostas no Instagram Stories, Mosseri afirmou: “Gostaríamos de construir um app para iPad, mas temos apenas tantas pessoas e tantas coisas a fazer, e isso não surgiu como a próxima melhor coisa a fazer ainda.”
Ele repetiu variações dessa resposta em anos subsequentes. Em 2022, respondendo a um comentário do influenciador Marques Brownlee no X, Mosseri classificou o app para iPad como uma “feature finally” – algo que os usuários pedem há tempos, mas que compete com prioridades como suporte a modo escuro, posts agendados e remoção de fotos em carrosséis.
Outros motivos técnicos foram citados indiretamente. O design original do Instagram, otimizado para telas verticais de smartphones, enfrentava desafios em adaptar conteúdos para as proporções retangulares e maiores dos iPads. Além disso, fotos tiradas com câmeras de celulares poderiam parecer de qualidade inferior em displays de alta resolução, o que poderia comprometer a experiência visual.
Em 2022, Mosseri mencionou ainda o “overhead” de suportar outra plataforma, comparando com apps como YouTube e TikTok, que priorizavam mobile. “O grupo de pessoas querendo um app para iPad simplesmente não era grande o suficiente para ser uma prioridade máxima”, disse ele em entrevistas recentes.
Líderes do Meta também alegaram “falta de recursos”, apesar da empresa valer trilhões de dólares. Críticos, como o site AppleInsider, chamaram essas explicações de “nonsensicas”, argumentando que o iPad vendeu mais de 500 milhões de unidades desde seu lançamento em 2010, representando um mercado significativo.

O que mudou em 2025
O lançamento em 2025 parece motivado por uma confluência de fatores. Primeiramente, o crescimento explosivo dos Reels, o formato de vídeos curtos do Instagram inspirado no TikTok, que agora representa metade do tempo gasto na plataforma.
Com ameaças regulatórias ao TikTok nos Estados Unidos – incluindo possíveis proibições devido a preocupações com privacidade e propriedade chinesa –, o Meta viu uma oportunidade para capturar mais usuários em dispositivos maiores. Relatórios indicam que o desenvolvimento acelerou no início de 2025, coincidindo com esses debates.
Além disso, as vendas de iPads cresceram, com mais de 51 milhões de unidades vendidas apenas em 2021, e um aumento no uso por jovens e profissionais durante a pandemia. O app para iPad chega otimizado para telas maiores, com Reels abrindo diretamente na tela inicial, layouts em colunas para mensagens diretas (DMs) e comentários, e uma aba “Following” personalizável.
Ele suporta multitasking, como Split View, e é compatível com iPadOS 15.1 ou superior, disponível globalmente na App Store. 8 “É uma experiência nativa para o tablet, com foco em vídeos e interações mais imersivas”, descreveu o Meta em anúncio oficial.
A recepção inicial é mista. Enquanto alguns celebram o fim da espera – “Finalmente, uma app digna para doomscrolling no iPad”, brincou o Business Insider –, outros questionam se não é tarde demais, com concorrentes como TikTok já oferecendo apps otimizados há anos. No Reddit e no X, usuários expressam alívio, mas criticam o Meta por priorizar lucros sobre experiência do usuário.
Para o Instagram, esse lançamento pode ser um passo para expandir sua dominância em vídeos curtos, especialmente se o TikTok enfrentar restrições. Resta ver se o app conquistará os usuários fiéis do iPad ou se o atraso deixou cicatrizes permanentes. Uma coisa é certa: após 15 anos, o Instagram finalmente reconheceu que tablets merecem atenção – mesmo que tenha demorado para “borbulhar” na lista de prioridades.
