VFiles, verão 2017: o que pedem os cinco novos nomes da plataforma de talentos

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A história do VFiles é boa pela forma de lidar com a revelação de novos talentos da moda. Nascido como loja no SoHo, em Nova York, e comunidade virtual para o compartilhamento de imagens, o projeto evoluiu enquanto acumulava seguidores. Passou pela encarnação “site e canal de vídeos de moda” e lançou etiqueta própria ao firmar o e-commerce com vários talentos revelados ou compartilhados pela rede social.

Desde 2013, a plataforma organiza também um desfile coletivo sempre no primeiro dia da semana de NY. Saíram dali vários nomes que ganharam projeção e foram parar no closet, por exemplo, de Rihanna e de seus seguidores. Vale destacar o link crucial que o VFiles faz entre seu olhar afiado de streetwear com o universo do hiphop e seus subgêneros mais fervidos, essencial para firmar identidade à empreitada.

NYFW: Rushemy Botter, VFiles, verão 2017
NYFW: Rushemy Botter, VFiles, verão 2017

Para a edição verão 2017, o projeto ganhou um upgrade bem-vindo: input de Naomi Campbell e de Jerry Lorenzo, da (mara) Fear of God, como mentores-por-uma-noite do grupo selecionado: Alessandro Trincone, Rushemy Botter, Barbara Sanchez-Kane, Song Seoyoon e a marca Ground Zero. A variedade de vozes é oportunidade boa para identificar temas comuns aos participantes – prestar atenção nos novos designers é também sobre ouvir suas reivindicações.

Representação de gênero é uma delas. Na passarela, seu questionamento pode ser ilustrado pelas entradas sofisticadas do italiano Alessandro Trincone, incluindo a que vestiu Young Thug na capa de seu álbum mais recente (o rapper assistia ao show da fila A). Nos looks de Rushemy Botter, a flexibilidade entre o que é masculino e feminino foi utilizada como forma de protesto de tom politizado; “inimigo da corrupção, da avareza e do terrorismo”, respeito e esperança foram valores defendidos em texto sobre alfaiataria reconfigurada de apelo unissex e influência militar. Na Sanchez-Kane, o olhar feminino da designer mexicana inverteu a lógica mais comum da transgressão dos limites de identidade ao injetar feminilidade quase que à força no guarda-roupa masculino.

Existe evento de novos talentos sem ideias de desconstrução? Na Ground Zero, a alfaiataria acabou rendida pelo remix de peças casuais finalizadas por babados, tons adocicados e patches de diálogo direto com a cultura pop de seus donos, os irmãos Eri e Philip Chu, de Hong Kong. A coreana Song Seoyoon isolou blocos de construção de roupas de origem reconhecível – ternos, suéteres, e calças- com bases de plástico transparente, demonstração mais radical do anseio por ressignificação do que se veste como uniforme atual.

A apresentação coletiva dá conta de fortalecer o ânimo da vertente mais questionadora da semana de Nova York; marcas que já saíram da chancela de “novo designer” ainda lutam para firmar seus lugares no meio do evento de caráter tão comercial. Além disso, fica como um exemplo superlegal de plataforma de talentos conectada com consumidores, com discussões pertinentes ao sistema da moda e, como não pode deixar de ser, em constante renovação. Navegue por todos os cliques das coleções e da apresentação no site do VFiles, clicando aqui.

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