Nem todo mundo quer ir para uma semana de moda

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Enquanto por aqui o SPFW ganha status de revival com marcas que voltam a levar gente que consome moda (e marcas que produzem roupa que existe) para suas salas de desfiles na temporada mais recente, um caso que parece corriqueiro na semana de moda de Nova York dá uma dica de que tem gente indo atrás de outra história. A notícia dessa semana foi o anúncio da não participação da Band of Outsiders, marca queridinha tocada por Scott Sternberg, da agenda da NYFW (ode desfilava desde 2011), algo que acontece com frequência a cada fase mais apertada de uma marca. Agora, quando não é só isso, a história pode render mais caldo e apontar para alguém que quer discutir a eficácia desse formato de apresentação.

O primeiro sinal foi de quem tem mais coisa aí veio no ano passado, quando Scott criticou o esquema tão forçado de desfiles e como isso funciona a estrutura de business de uma marca. O que ele chamou de dog and pony show é a base que sustenta nossas semanas de moda: existe esforço, investimento e um desperdício de materiais para criar roupas que só existem para stylists e publicações e não dialogam diretamente com o cliente que vai até a loja. Como alternativa, Scott envia as imagens do verão 2015 da Band of Outsiders para a imprensa e buyers e troca o desfile pela inauguração de sua primeira loja em Manhattan, no dia 07.09.

Quando disparou esse raciocínio para a Apartamento, Scott ainda comentou o case Tom Ford. Primeiro, com o elogio ao caminho inverso que seu colega escolheu para a etiqueta homônima: primeiro focado na sua linha de beleza para só depois (de anos!) preparar o seu retorno às roupas, apresentadas em esquema secreto e divulgadas apenas quando estivessem realmente disponíveis para suas (absurdamente ricas) clientes. Depois, com a crítica ao estilista por ter desistido disso e retornado à semana de moda de Londres.

É fato que o esquema de desfile não está consolidado à toa: ele funciona e continua sendo a aposta principal até para as marcas que não vendem nada relacionado às coleções da passarela e ao que é publicado (e muitas vezes elogiado) nos veículos de moda. Só que tá ficando cada vez mais difícil comparar a eficiência do impacto de quem escolhe esse caminho com o trabalho das marcas que se preocupam em alinhavar o departamento de marketing com suas linhas de produção. Chega de roupa virtual?

Scott Strenberg, da Band of Outsiders (foto via Le 21 ème)
Scott Strenberg, da Band of Outsiders (foto via Le 21 ème)

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