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Globo de Ouro 2018: primeiro a mulher, depois o look

Meryl Streep com Ai-jen Poo, diretora da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas, no tapete vermelho do Globo de Ouro 2018
Meryl Streep com Ai-jen Poo, diretora da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas, no tapete vermelho do Globo de Ouro 2018

Estrela fixa da temporada de tapetes vermelhos do início de cada ano, a moda cedeu voz a uma causa mais importante em sua primeira parada hollywoodiana de 2018. Pela iniciativa da recém-lançada organização Time’s Up, atrizes e profissionais do meio foram incentivadas a vestir preto como protesto contra abusos e em prol da igualdade entre gêneros.

O chamado foi atendido na noite de domingo (07.01). Todas as protagonistas femininas do Globo de Ouro cruzaram a chegada e o palco da festa no tom da campanha. No paraíso da moda-fantasia, a temporada começou com um pé (um pouco mais na) realidade.

A cor escolhida é favorita da moda, sugere sofisticação, versatilidade ou nobreza, conforme o contexto. Tem mais qualidades: vai da rigidez à elegância em poucos ajustes, simboliza instâncias máximas de ordem, religiosidade ou justiça, mas também é instrumento imbatível para suas contestações. Representa ausência ou censura de forma tão eficaz quando imponência ou riqueza. Dado o (polêmico) ponto de partida em comum, o exercício de julgamento da mulher pelo o que ela veste exigiu nova, e invertida, fórmula: pense primeiro na mulher, depois no look. Exercício extra de compreensão é cada vez mais bem-vindo.

O alvo da campanha foi atingido, mas o tiro à moda saiu pela culatra. Não só pela noção de que debater opressão através de opressão também configura opressão, mas também porque tirar da frente sua versão mais vazia que privilegia primeiras impressões poderia trazer à frente o trabalho de estilistas dedicados a criar roupas em contexto muito mais amplo do que o da elegância.

Essas histórias não foram contadas ao vivo — com o boicote aos créditos, ficaram relegadas a quem acompanha as manchetes de moda com interesse vigoroso. Serve como sugestão para aprimorar a iniciativa: ao invés buscar clareza pela restrição a um denominador comum cuja escolha é carregada de significados pré-dispostos, que dê voz às narrativas legítimas e desafiadoras tais como os meios dedicados dão voz às vítimas femininas.

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Guga