Cottweiler, Nigel Cabourn e Alex Mullins: da loucurinha aos uniformes na LCMAW16

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Foto: Guga Santos

A rota de apresentações do primeiro dia da semana masculina de Londres foi boa para exemplificar a diversidade de seus seguidores e dos #tiposdehomens que fazem parte do imaginário das grifes. Básicos de luxo renovados por uma viagem intergaláctica, jeanswear revirado com aspirações artísticas e até roupas de verdade, baseadas no lifestyle de um legítimo ‘guy’s guy’. A sexta-feira (08.01) de moda virou um bom, ainda que breve, resumo do que se vê nas passarelas e nas ruas da cidade. Aos detalhes!

COTTWEILER

A marca é recente, fundada em 2012 pela dupla Ben Cottrell e Matthew Dainty, focada em roupas que conectem seus consumidores ao mundo que os cerca. A galeria PM/AM em Paddington recebeu convidados antes de mandá-los, mesmo, para uma viagem espacial com cenário soturno e trilha eletrônica pulsante. A ideia é de básicos renovados; jaquetas e calças em neoprene mais agasalhos esportivos, mas de fino trato, deram ares de uniforme aos conjuntos. O bloco que mais chamava atenção era o dos tecidos de acabamento high-tech, em versão prata ou translúcidos de acabamento metalizado.

Em contraponto, malhas e calças de lã sintética (e impermeável) de textura rústica traziam os garotos de volta ao chão. Ramos de trigo decoravam o convite, o cenário, viraram acessórios e, um isolado, estampava o suéter assinatura vestido orgulhosamente pelos designers. Melhor coleção (vista) do dia.

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Fotos: Guga Santos

NIGEL CABOURN — Authentic, Lybro e The Army Gym

Com mais de 40 anos de moda, Nigel comanda simultaneamente três etiquetas, todas reunidas para a apresentação no endereço da The Army Gym em Covent Garden. Aqui não existe forma sem função: as roupas criadas por Cabourn são totalmente conectadas com seu lifestyle esportivo, viajante e aventureiro.

A linha principal, a Authentic Nigel Cabourn, conta com “roupa de verdade” em 25 peças ‘made in Great Britain’; várias são novos takes de itens-assinatura da trajetória da marca. Por exemplo: o colete Cameraman, uma versão incrível dos itens funcionais de fotógrafos e cinegrafistas, foi refeito em tweed desenvolvido especialmente por Nigel, de toque encerado, e revestimento em “laranja vintage”; a marca tem em seu rol de fornecedores fabricantes históricos de tecidos voltados à moda masculina. A oferta é de um guarda-roupa completo com camisas, jaquetas impermeáveis, calças de modelagem confortável e botas pesadas que cairiam no gosto dos homens (friorentos) brasileiros que fogem de fashionismos.

Em outro corner, foco na Lybro, marca antiga de uniformes industriais comprada por Cabourn e agora em sua primeira coleção completa. Trajes usados por operários de indústrias, de ferrovias e de fábricas de munição viram macacões cáqui de toque suavizado, sobretudos pesados e camisas de linhas precisas, sem floreios, em denim grosso e resistente. No andar de baixo, mais novas de duas coleções: a The Army Gym, roupa fitness sem frescura e à prova do frio mais a linha de camisas polo e cardigãs para a Fred Perry, parceria lançada em 2015 que uniu a paixão dos envolvidos pelo tênis. Dica: a loja na 28 Henrietta St. merece ser incluída num bom roteiro de viagem a Londres.

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Foto: Guga Santos

Alex Mullins

Na Victoria House, um dos QGs da semana masculina de Londres, o estilista formado na Central Saint Martins com dois anos de marca armou uma instalação artística para discorrer sobre o tédio. Em cases de painéis com splashes de tinta, tecidos e roupas tipo DIY emolduradas, um grupo de garotos segurava a não-pose frente aos cliques de quem chegava perto. Vestiam um jeanswear divertido, todo irregular e de barras desgastadas combinados com tops e coletes decorados com colagens de uma juventude blasé-i-don’t-care e camisetas com o logo por cima de manchas de tinta. Roupa tipo Tumblr. Já a turma de convidados, vários amigos fervidos, muitos de look Trainspotting, tinha vibe oposta, em clima de esquenta pra noite de sexta sob trilha animada e drinks.

Roupa assim é boa mesmo de ver com contexto, ainda que as de Mullins tenham saída garantida em multimarcas modernosas tipo VFiles e a 10 Corso Como. Injeção de ânimo colorida e bem-humorada para não deixar a moda tão insossa quanto o casting em cena.

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Foto: Guga Santos