Com verão 2016 preciso, Raf Simons consolida sua fórmula para a Dior

A Dior de Raf Simons ganha sustentação sobre cinco pilares principais: história da roupa, o arquivo rico da casa, o expertise técnico avançado do ateliê que lidera, a inspiração da arte (geralmente contemporânea) e a reflexão sobre o tempo no qual suas roupas serão usadas. Não é pouca coisa, mas é a quase-fórmula que o belga encontrou para encarar a renovação de uma etiqueta (de importância) do tamanho da que assumiu.

Trocam-se, então, as variáveis de coleção para coleção. Para o verão 2016, as lingeries vitorianas foram remixadas com linhas mais firmes em tecidos leves de aparência quase sintética. Vão por baixo de jaquetas street em versão polidas, dos tricôs cropped (!) ou da alfaiataria precisa (tem jaqueta bar versão desabada e terno feminino, mas com jaqueta, colete curto e short). Repare também nas aplicações cinéticas por cima dos vestidos e das bolsas, incluindo as novas Dior Ever (juntei todos os pilares?). Desta vez, a clareza da coleção fez com que a linha precisa de raciocínio ficasse ainda mais em evidência.

Pode-se pensar nesse tipo de receita como um aspecto negativo, ligado à repetição. Não é o caso de Simons. Na linha do tempo da grife, as peças que ganham de meses em meses a passarela formam um closet imaginário (e dos sonhos) muito mais diversificado do que, por exemplo, o de Nicolas Ghesquière para a Louis Vuitton. Como as matemáticas ou químicas mesmo, fórmulas são caminhos, não são destinos. Racionalizar a sequência de fatores ajuda a unir as diferenças. Aí, por mais distante que o inverno anterior de instinto primitivo tenha sido, a assinatura do estilista segue com firma reconhecida. Sorte de quem é fã.

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